
O plantel de séries criadas/produzidas por Taylor Sheridan impressiona por contar com um sucesso após o outro. De Yellowstone a Lioness, passando por Mayor of Kingstown e Madison, a lista engloba atrações elogiadas pela crítica especializada e amadas pelo público, alcançando sucesso global. Apesar disso, o showrunner tem uma pedra no sapato chamada Emmy.
Na principal premiação da TV, as séries de Sheridan somam apenas nove indicações (e zero vitórias). E todas as menções são em categorias secundárias, sem emplacar vagas nas principais disputas da cerimônia. Isso tem tudo para ser revertido com Landman.
Pela segunda temporada, Landman tem chances reais de cravar três indicações importantes no Oscar da TV deste ano (a lista oficial sai em 8 de julho):
- Melhor drama
- Melhor ator protagonista de drama (Billy Bob Thornton)
- Melhor ator coadjuvante de drama (Sam Elliott)
Dito isso, qual o motivo de Sheridan, que acumula hits e ótimas avaliações nos sites agregadores de reviews (Rotten Tomatoes e Metacritic), não conseguir converter esse prestígio em reconhecimento relevante por parte da Academia de Televisão dos Estados Unidos, organizadora do Emmy?
Para registro, veja as séries assinadas ou produzidas pelo showrunner:
- Yellowstone (2018-2024)
- 1883 (2021)
- 1923 (2022)
- Marshals (2026-presente)
- Rancho Dutton (2026-presente)
- Mayor of Kingstown (2021-presente)
- Tulsa King (2022-presente)
- Homens da Lei: Bass Reeves (2023)
- Lioness (2023-presente)
- Landman (2024-presente)
- Madison (2026-presente)
Em outras premiações, essas produções foram lembradas. A quarta temporada de Yellowstone recebeu indicações dos sindicatos de produtores (PGA) e atores (Actor Awards), além do Critics Choice. Kevin Costner, protagonista da série, conquistou um Globo de Ouro por seu trabalho no quinto ano do drama faroeste.
Entre os derivados da franquia bang-bang, 1883 também obteve destaque ao render a Sam Elliott um prêmio de atuação (no SAG). Já Landman garantiu a Billy Bob Thornton uma indicação ao Globo de Ouro por sua primeira temporada. O segundo ano da atração foi lembrado pelo sindicato dos atores nas categorias de melhor elenco de série dramática e melhor equipe de dublês, além de assegurar ao ator uma indicação ao Critics Choice.
Tem quem argumente que o próprio Taylor Sheridan joga contra suas séries. Isso pelo fato de ele não ser muito midiático, sem investir pesado em campanhas de publicidade direcionada aos votantes do Emmy, além de não participar de encontros que ajudam a “vender” as séries.
Há o fator político, por supostamente as histórias contadas por Sheridan penderem para o conservadorismo da direita política, se opondo às visões mais progressistas e à esquerda do mundo hollywoodiano.
Sem contar as críticas feitas a ele pelo mau gosto e por não saber desenvolver personagens femininas de forma convincente. Essa acusação, porém, é vazia de fundamento. Basta ver as atrizes de ponta que toparam/topam atuar em projetos conduzidos por Sheridan. São nomes consagrados e respeitados como Ali Larter, Demi Moore, Kelly Reilly, Michelle Pfeiffer… E as vencedoras do Oscar Helen Mirren, Nicole Kidman e Zoe Saldaña.
Justamente o elenco é uma das forças de Landman; dele devem sair, ao menos, duas indicações ao Emmy. No Actor Awards (ex-SAG), a série concorreu na principal categoria da premiação deste ano, melhor atuação de um elenco em série de drama, perdendo para The Pitt. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



