MERCADO

Hollywood na UTI: a crise econômica no berço da indústria audiovisual dos EUA

Em Los Angeles, o tema faz parte central da atual disputa pela prefeitura
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Ambientada na Califórnia, Virgin River é gravada no Canadá
Ambientada na Califórnia, Virgin River é gravada no Canadá

Em Los Angeles, problemas acerca de Hollywood são tratados no mesmo nível de educação, saúde e segurança pública durante campanhas eleitorais para a prefeitura; em 2 de junho, tem votação para a escolha do novo prefeito ou nova prefeita da cidade. Neste ano, porém, o berço da indústria audiovisual americana ganhou mais destaque devido à grave crise que enfrenta. 

O jornal Los Angeles Times apresentou números alarmantes que dão uma ideia do que está acontecendo:

  • Mais de 80 empresas de serviços voltados à produção de filmes e séries em Los Angeles encerraram as atividades desde 2022, enquanto a indústria enfrenta uma retração sem precedentes.
  • O número de dias de filmagem/gravação em Los Angeles caiu quase 50% desde 2019, ao mesmo tempo em que o setor audiovisual perdeu aproximadamente 57 mil empregos em cinco anos.
  • A migração de produções para outras localidades nos EUA e países com incentivos fiscais mais atrativos, somada ao fim do boom do streaming, agravou ainda mais a crise.

Cenário crítico
O colapso da indústria audiovisual de Los Angeles já deixou de ser percebida apenas nos estúdios. O impacto agora alcança os bastidores responsáveis por sustentar a engrenagem do entretenimento americano: de empresas de figurino e locação de objetos cênicos a fornecedores de transporte, cenografia e alimentação.

Esse cenário se tornou tema central até mesmo na disputa pela prefeitura de Los Angeles, diante do peso econômico da indústria para a cidade. A consequência extrapola profissionais criativos e alcança uma ampla rede de pequenas empresas dependentes das produções.

“A transformação da cidade é perceptível”, afirmou a roteirista e diretora Sarah Adina Smith, cofundadora do movimento Stay in LA, criado para pressionar pelo fortalecimento das filmagens locais. Segundo ela, não só artistas e técnicos perderam trabalho, como também negócios inteiros desapareceram junto com a retração do setor.

Nos EUA, existe uma guerra fiscal para atrair grandes produções da TV e do cinema. As cidades de Atlanta e Nova York são as principais concorrentes de Los Angeles, mas outros lugares fazem de tudo nessa briga.

E tem a ameaça que vem do norte, com Vancouver (Canadá) sendo um polo de destaque. Um exemplo claro disso é Virgin River, cuja trama é ambientada na Califórnia, estado onde Los Angeles está localizada, mas teve todas as temporadas gravadas no Canadá.

Um alívio surgiu dias atrás. A rede CBS anunciou que a série O Rastreador, uma das mais vistas da atualidade, deixará Vancouver para gravar a próxima temporada em Los Angeles, mudança viabilizada por um incentivo fiscal na casa dos US$ 48 milhões. Ainda assim, profissionais da indústria consideram iniciativas isoladas insuficientes para reverter a tendência de esvaziamento.

No meio disso tudo, o drama jurídico O Poder e a Lei se tornou um símbolo de resistência, por ser inteiramente gravada em Los Angeles, com trabalhadores locais, e por mostrar as belas paisagens e atrações da cidade.

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