
Para quem é da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2009) e Alfa (2010-2024), a masculinidade do tipo Rambo é mal vista e tem de perder espaço em filmes e séries. Em vez de um macho durão hiperestereotipado, com força física extrema, autossuficiência e nada emotivo, os jovens e adolescentes querem acompanhar histórias de homens mais sensíveis, atenciosos e vulneráveis.
É o que aponta o estudo anual feito pelo Center for Scholars & Storytellers da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). O levantamento lança luz sobre uma mudança importante nas expectativas das gerações mais novas em relação à representação masculina no audiovisual.
Intitulado Evolving Masculinity (Masculinidade Evoluída), o estudo ouviu 1.500 crianças, adolescentes e jovens adultos entre 10 e 24 anos, nos Estados Unidos. A conclusão aponta para um desejo claro: menos rigidez estereotipada, mais humanidade em cena.
Ou seja, menos Rambo (personagem machão eternizado por Sylvester Stallone) e mais Robby (doutor da série The Pitt, interpretado por Noah Wyle, falho, emotivo e atencioso com todos).
Segundo os dados apurados, a Geração Z e Alfa quer ver meninos e homens se afastando do isolamento emocional e dos arquétipos tradicionais de virilidade impenetrável. No lugar do herói imbatível e lacônico, ganha força a figura disposta a admitir fragilidades, que cultiva vínculos e se permite demonstrar afeto.
A transformação é ainda mais evidente quando o foco recai sobre a paternidade. Os participantes mais jovens manifestaram preferência por pais capazes de expressar carinho pelos filhos e revelem satisfação em exercer esse papel, uma expectativa que ecoa tanto na ficção quanto na vida real. A mensagem é direta: autoridade não exclui ternura.
O levantamento também desmonta outra convicção arraigada na indústria do entretenimento. Durante anos, produtores e executivos trabalharam sob a premissa de que o público masculino juvenil preferiria protagonistas estoicos, independentes e emocionalmente contidos, perfil responsável por consolidar a avalanche de narrativas centradas no salvador solitário, frequentemente trajado de super-herói, incumbido de salvar o mundo.
Os resultados indicam que essa fórmula já não responde plenamente aos anseios contemporâneos. Quase metade dos entrevistados (46%) afirmou querer assistir a histórias sobre homens pedindo ajuda, inclusive para lidar com questões de saúde mental. A ideia de invulnerabilidade, ao que tudo indica, perdeu apelo. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



