AMARRA CRIATIVA

O que é cânone? Smallville é uma série única porque fugiu disso

Drama clássico da TV sobre as aventuras do Superboy está em alta na Netflix
DIVULGAÇÃO/CW
Tom Welling em cena de Smallville
Tom Welling em cena de Smallville

Mais de duas décadas depois da estreia, a série Smallville (2001-2011) está em alta entre o público brasileiro após entrar no catálogo da Netflix, na última terça-feira (24), rapidamente ocupando um lugar entre as séries mais assistida da plataforma. O drama sobre as aventuras do Superboy tem uma identidade única e cativante, característica impossível de replicar nos dias de hoje.

Quem afirma isso são os próprios criadores da atração, Alfred Gough e Miles Millar. Eles justificam tal posicionamento ao refletir sobre uma palavra bastante comum e discutida no mundo das adaptações televisivas baseadas em livros ou HQs: cânone

Esse termo é usado a fim de identificar algo muito básico de uma obra original que não deve ser alterado ou alguma situação que conecta produções artísticas, por exemplo.

Em entrevista ao site The Hollywood Reporter, a dupla de showrunners explicou o motivo pelo qual a narrativa de Smallville é singular e nunca será copiada. A argumentação é válida, pois eles desfrutaram de liberdade total no desenvolvimento do jovem Superman (ou Superboy, se preferirem) sem necessariamente copiar padrões vistos nos quadrinhos ou filmes. 

O começo de tudo apresentou uma mudança radical sobre os primeiros dias do Superman na Terra. “Toda a premissa da série não era cânone”, relembrou Miles Millar. “A ideia de que Clark [Kent] chegou em uma chuva de meteoros, que matou pessoas… E de que Lex [Luthor] estava lá… Tudo isso era completamente novo, coisas que foram adicionadas à mitologia do Superman.”

Millar não hesitou ao afirmar: “Certamente, nós não iríamos poder fazer isso hoje, o que é uma tragédia”. Para ele, a necessidade imposta de seguir o cânone “leva a uma estagnação de ideias.”

Ouvir a cobrança de uma parcela de fãs com o objetivo de seguir rigidamente a mitologia oficial culmina em “autocensura”, segundo Millar. “Foi um privilégio viver aquele momento. Realmente tivemos liberdade para fazer o que quisemos. Foi incrível e muito libertador.”

Alfred Gough enfatizou que Smallville “mostrou muitos desvios e alterações do cânone de Superman”. Ele aproveitou para citar que ninguém se intrometeu na parte criativa da série. “Não tinha comitê [de diretores e executivos] dizendo para nós o que podíamos fazer ou não”, falou. “O máximo que a Warner [Bros.] fazia era não liberar um ou outro personagem para a narrativa. No final das contas, foi feita a série que a gente queria”.

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