
Com ótimas cenas de ação e uma conspiração daquelas, a terceira temporada de O Agente Noturno deu o nome. Lançada pela Netflix nesta quinta-feira (19), a série de espionagem ligou os pontos entre interesses criminosos e a Presidência dos Estados Unidos, passando por um banco que fazia literalmente o trabalho sujo, lavando dinheiro e financiando uma rede à margem da lei.
O ponto de partida da segunda leva de O Agente Noturno é a missão de Peter Sutherland (Gabriel Basso) na Turquia. Ele é convocado para encontrar um jovem que fugiu para Istambul com informações confidenciais do governo após matar o próprio chefe.
Com isso, Peter passa a investigar irregularidades financeiras enquanto se esquiva de assassinos de aluguel e precisa lidar com uma jornalista incansável. Trabalhando em conjunto, eles desenterram segredos e antigos ressentimentos capazes de desestabilizar o Executivo e, claro, sempre com o risco de serem mortos.
[Atenção: spoilers a seguir]
Crimes e consequências: explicação
O que começa como uma perseguição internacional rapidamente revela contornos mais complexos. A tarefa de localizar o analista Jay Batra (Suraj Sharma) transforma-se em uma investigação financeira de largo alcance e aponta para uma engrenagem instalada em solo americano dedicada ao financiamento do terrorismo.
No centro da trama surge ainda a figura de um intermediário infiltrado há anos na comunidade de inteligência, evidência de que a conspiração opera por dentro das estruturas do poder.
Enquanto Peter mergulha nesse novo caso, a organização Ação Noturna apura o atentado contra o voo PIMA 12, ato terrorista que deixou centenas de mortos, entre eles 157 cidadãos americanos. Ainda assim, a prioridade do agente permanece em Jay.
Em Istambul, ele descobre a intenção do fugitivo de entregar o material à repórter Isabel de Leon (Genesis Rodriguez) durante uma partida de futebol (sequência gravada no estádio do Beşiktaş em meio a um jogo real). O encontro, porém, atrai outros interessados. Após a entrega do dispositivo com os dados, Peter intervém e ajuda Jay a escapar dos homens que também o seguiam.
Quando Isabel e Jay conseguem acessar o conteúdo do drive, a dimensão do escândalo se expande: registros bancários, trocas de mensagens e gravações revelam vínculos entre o banco Walcott Capital, empresas de fachada e um esquema que alcança a família presidencial dos EUA.
Para as revelações serem publicadas pelo jornal The Financial Register, a equipe jurídica exige um testemunho formal de Freya (Michaela Watkins), peça-chave da engrenagem. Inicialmente resistente, ela muda de postura ao perceber que também passou a ser alvo. O presidente Hagan (Ward Moron) mobiliza um grupo de ex-militares ligados à Ação Noturna, liderados por Adam (David Lyons), com a missão de silenciar ameaças.
Após um ataque que obriga Isabel a fugir, Peter localiza Freya na estação Grand Central, em Nova York, e tenta levá-la em segurança até a redação. A perseguição culmina em um confronto dentro de um banco abandonado, cenário simbólico para uma temporada centrada em crimes financeiros.
Ali, Peter desafia Adam a questionar as ordens recebidas. Sustenta que o presidente não age como estadista, mas como alguém disposto a instrumentalizar soldados para encobrir irregularidades. Diante do dilema moral, Adam baixa a arma. Ele compreende que a lealdade institucional não pode se sobrepor a princípios éticos básicos.
Com isso, Freya consegue chegar ao jornal e, em transmissão ao vivo, admite que sua divisão paralela no Walcott Capital foi utilizada para lavar recursos de campanha dos Hagans. Afirma ainda estar disposta a cooperar com o Congresso americano e com o Departamento de Justiça.
O desfecho, contudo, não entrega a sensação imediata de justiça. O presidente concede perdão a si próprio e à esposa antes de eventual condenação no Senado. Deixam a Casa Branca e asseguram um novo acordo midiático.
Quando tudo parece encerrado, a narrativa introduz um último movimento. Em um bar, Freya celebra discretamente enquanto a televisão exibe as manchetes sobre o indulto presidencial. Ao seu lado surge um homem misterioso, o mesmo assassino que ela contratara no passado sem jamais ter conhecido pessoalmente. Após uma conversa trivial, ele lhe oferece um drinque e adiciona algo ao copo. A temporada sugere, sem rodeios, que aquela pode ter sido a última noite de Freya. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



