REFLEXÃO

5 depoimentos revelam a verdade sobre o Me Too 5 anos depois

Relatos de profissionais de Hollywood contam o que rola nos bastidores
ARTE/DIÁRIO DE SÉRIES
Movimento Me Too completa cinco anos
Movimento Me Too completa cinco anos

Em 2017 iniciou-se o Me Too, histórico movimento contra o assédio e abuso sexual em Hollywood, expondo importunações e crimes cometidos por ilustres e poderosos nomes do entretenimento. Cinco anos depois, pouca coisa mudou, embora pontos positivos tenham surgido dessa corrente. O site Vanity Fair colheu depoimentos de pessoas envolvidas diretamente com a indústria hollywoodiana, relatos que revelam a verdade sobre o impacto do Me Too.

As falas de pessoas diversas da indústria, de produtores a profissionais do RH, mostram que a cultura do assédio ainda assombra. Tal descortinar casa com a recente pesquisa realizada pela organização Women in Film, cujo resultado apontou que 79,9% das pessoas entrevistadas disseram que foram vítimas de assédio, ou conheceram alguém que sofreu abuso, nos últimos cinco anos dentro de Hollywood.

Nota-se o descaso de autoridades civis ou de executivos da alta cúpula (de estúdios e produtoras) com as denúncias. A sensação é que vale mais acusar alguém publicamente, via redes sociais ou imprensa, do que formalizar uma reclamação no RH da empresa, por exemplo. Contudo, isso exige coragem da vítima, pois ficará exposta e colocará a carreira em risco. Nem todo mundo pode se comprometer dessa maneira.

Veja abaixo cinco depoimentos importantes coletados pela Vanity Fair e que merecem destaque:

Me Too falhou (showrunner anônima)

“O Me Too tornou-se um erro em termos de poder institucional. Eles [estúdios] geralmente não colocam mulheres no comando, com raras exceções. A verdade é que os homens ainda comandam Hollywood nos quatro cantos e simplesmente não se importam [com o Me Too]. Pior: eles sentem que seus colegas foram injustamente caluniados.”

Homens estão com medo (produtora veterna)

“O que mudou é que os homens estão com medo, isso nunca aconteceu antes. Os homens têm medo de se comportar mal, porque sabem das consequências que podem sofrer, devido a casos concretos anteriores. Seria bom se essa não fosse a única motivação que fizesse o comportamento [abusivo] melhorar. Melhor do que nada, sabe?”

Sistema podre e comprado (profissional de RH)

“Há um sistema viciado. Se tivermos departamentos de RH contratados por estúdios que investigam pessoas em seus programas e filmes, o processo nunca será justo. Porque no final das contas, os departamentos de RH estão em conluio com os estúdios… e rola muita grana nisso tudo. 

Mulheres contratam mulheres (Leah Holzer, produtora)

“Ainda acho que existem pessoas realmente abusivas, e que são bem-sucedidas, trabalhando dentro de Hollywood. E acredito que há força e segurança nos números [mais mulheres unidas]. Sinto que há mulheres que estão em posições de chefia, de muito sucesso, olhando ao redor e dizendo: ‘Eu quero trabalhar com outras mulheres’.”

De olho em vítimas vulneráveis (Lisa Takeuchi Cullen, roteirista)

[O Me Too] pode ter levado alguns homens a serem mais cuidadosos com as pessoas que poderiam denunciá-los e causar problemas. Contudo, eles reservam esse comportamento rude e mau para a equipe de apoio e pessoas longe dos holofotes, pois acreditam que essas não têm o poder de denunciá-los. São pessoas vítimas que estão começando agora em Hollywood e não querem desperdiçar a oportunidade que ganharam caso tomem a decisão de expor o assediador.”

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