
Liderada por Bryan Cranston (Breaking Bad) em estupenda fase, o elenco de Your Honor é um dos pilares do drama policial, gângster e político que está disponível no Mercado Play e no Paramount+. Para quem gosta de uma narrativa realmente dramática, calcada em um bom roteiro e defendida por atuações sem pirotecnias, essa série é um prato cheio.
Your Honor é quase como um teatro. O cenário, a cidade de New Orleans (EUA), é um pano de fundo simples apenas. Não tem investimento em efeitos especiais chamativos nem cenas de ação alucinantes. O que vale é a história, muito bem amarrada, e o grupo de atores e atrizes.
Com rara felicidade, o drama baseado em uma produção israelense (Kvodo) coloca no centro narrativas policiais, gângsteres e políticas. Cada setor consegue se desenvolver independentemente do outro, mas as conexões entre eles são diversas, para o bem ou para o mal.
Quatro vezes vencedor do Emmy por encarnar o traficante Walter White em Breaking Bad, Bryan Cranston é Michael Desiato em Your Honor, um juiz proeminente e respeitadíssimo. A vida dele, pessoal e profissional, vira de cabeça para baixo após o filho de 17 anos matar outro jovem. A vítima era filho de Jimmy Baxter (Michael Stuhlbarg), chefe de uma família do crime organizado.
O mix de tramas tem início quando Michael pede ajuda. Primeiro, ele procura uma detetive. Depois, um político. Melhor amigo do juiz, o prefeito de New Orleans, Charlie Figaro (Isiah Whitlock Jr.), tem ligações com tudo que é setor da cidade, incluindo aí o mundo fora da lei.
Charlie é um elo importante dessa corrente porque acaba pisando no calo dos Baxters. Ele recusa tocar um projeto ambicioso da família criminosa e ajuda a gângster (e rival) Big Mo (Andrene Ward-Hammond) a comprar um bar no território dos Baxters.
No meio disso tudo, Michael é forçado a ser um informante do governo americano, com interesse em acabar com os negócios do clã Baxter. Para tanto, Michael é visto como peça-chave na investigação.

Your Honor é boa
Your Honor não é uma série que perde muito tempo em mistérios, o que é bom. As soluções são rápidas, dando dinamismo aos episódios. Quando uma revelação é completamente explorada, outra vem na sequência.
E isso tudo é mostrado em cenas curtíssimas. O número de cortes de edição nos episódios é bem acima do padrão, realizados com o propósito de mostrar o que está acontecendo justamente nessas várias frentes (policial, gângster e política) até chegar no ponto de entrelaçamento, seja entre duas das três ou com o trio completo.
Fora Cranston, outros nomes do elenco se sobressaem. Quase todos do time fixo estão bem. Michael Stuhlbarg convence na pele de um mafioso que se apresenta como um homem de negócios legítimo. Hope Davis está ótima na pele da mulher de Jimmy, talvez mais cruel e sangue-frio do que o marido gângster.
Lilli Kay, como a filha dos Baxters que engata um relacionamento com o filho de Michael, também está ótima com a sua personagem. E Isiah Whitlock Jr. brilha como um político cheio de segundas intenções. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br