OPINIÃO

Wagner Moura fala sobre ‘sequestro’ de Nicolás Maduro pelos EUA: ‘Inaceitável’

Ator brasileiro está em alta em Hollywood, nome quente no circuito de premiações
REPRODUÇÃO/THR
Wagner Moura durante entrevista para a Hollywood Reporter
Wagner Moura durante entrevista para a Hollywood Reporter

Nome forte no circuito de premiações hollywoodianas, tanto pela série Ladrões de Drogas (Apple TV) quanto pelo filme O Agente Secreto, o ator brasileiro Wagner Moura foi entrevistado pelo prestigiado podcast Awards Chatter, da revista The Hollywood Reporter, que celebra os grandes nomes do momento no mundo do entretenimento e que marcam presença em cerimônias como Critics Choice, Globo de Ouro e (potencialmente) o Oscar.

Entrevistado por Scott Feinberg na sede da Hollywood Reporter, em Los Angeles (EUA), Moura falou por mais de uma hora sobre tudo, do começo de sua carreira no Brasil aos papéis que conseguiu em Hollywood. O jornalista, no entanto, não perdeu a oportunidade de pedir a opinião do brasileiro, descrito como o ator mais importante da América do Sul na atualidade, sobre a captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro pela força militar dos Estados Unidos, ação ocorrida no último sábado (3).

Inaceitável”, afirmou Wagner Moura, que rotulou o caso como um “sequestro”. O artista soteropolitano, que é cidadão americano, deixou claro que esse seu posicionamento “não tem nada a ver com apoiar [Nicolás] Maduro ou seu regime: acho que ele é um ditador e que a Venezuela merece algo melhor do que Maduro.”

Na visão do ator, há um problema evidente na própria lógica da invasão. “Isso não pode ser aceito”, comentou. “E não estou vendo uma reação forte da comunidade internacional.”

“Os Estados Unidos invadirem um país, bombardearem um país, matarem pessoas em um país e sequestrarem o seu presidente. Isso estabelece um precedente extremamente perigoso.”

Inevitavelmente, Moura traçou um paralelo entre a situação atual no continente americano e o que é retratado no filme O Agente Secreto, cuja trama gira em torno de um fugitivo político durante o auge da ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985.

“Faz a gente lembrar dos velhos tempos do imperialismo americano, da Doutrina Monroe e da política do big stick”, disse o ator. “Tenho certeza de que você sabe que todas as ditaduras da América do Sul nos anos 1960 e 1970, como aquela de que falamos em O Agente Secreto, por exemplo, foram apoiadas pela CIA [a agência de inteligência americana].”

Na primeira volta do atual circuito de premiações hollywoodianas de 2026, Wagner Moura não levou prêmios individuais no Critics Choice (foi indicado duas vezes como ator, uma pela série Ladrões de Drogas e outra pelo filme O Agente Secreto). Mas o longa brasileiro estrelado por ele ganhou o troféu de melhor filme estrangeiro.

A próxima volta será no domingo (11), no Globo de Ouro. A expectativa é grande pela disputa do Oscar, cujos indicados serão conhecidos em 22 de janeiro.

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