
Aconteceu de novo: mais uma série baseada em livro de Harlan Coben alcança a liderança de audiência na Netflix. A produção que atingiu esse resultado no começo de 2026 foi Custe o que Custar, drama britânico que traz, de forma evidente em seu núcleo, o segredo do escritor ao montar suas histórias: representar o oposto da idealizada família de comercial de margarina.
Esse contraste desperta o interesse do público, segundo o autor. Familiares vivendo em perfeita harmonia causam reação inversa.
Na trama, os Greenes se desmoronam durante a busca por Paige (Ellie de Lange), filha desaparecida de Simon (James Nesbitt) e Ingrid (Minnie Driver). Enquanto buscam respostas sobre o paradeiro da jovem, segredos são revelados. Então, a narrativa ganha força e fica viciante.
Durante um evento de apresentação da adaptação televisiva, Coben falou sobre seus romances e séries sempre apresentarem temas sombrios e perturbadores, algo visto em Custe o que Custar: “É uma família em conflito, e a vida não é fácil. Quero dizer, se tudo estivesse indo às mil maravilhas para essa família, quem iria querer assistir [à série]? Então, é preciso que as coisas deem errado.”
No linguajar popular brasileiro, a expressão “família de comercial de margarina” sintetiza o estereótipo de família perfeita, feliz e harmoniosa, geralmente branca e heteronormativa, que toma café da manhã junto, sem conflitos. Essa imagem se popularizou no imaginário por causa de comerciais televisivos da margarina Doriana, principalmente entre os anos 1980 e 1990.
Em Custe o que Custar, há momentos nos quais os Greenes estão felizes, com Paige presente, como quando todos estão reunidos na sala e cantam uma canção tocada por ela em seu violão. Cenas do tipo, retiradas do passado, são resgatadas para contrapor a tensão e o caos da realidade do presente vividos por aquela família em meio a uma crise.
Com mais uma história focada em relações familiares levadas ao limite, Harlan Coben reafirma sua marca em Custe o que Custar: transformar medos íntimos e dilemas cotidianos em entretenimento envolvente, capaz de prender o espectador do primeiro ao último episódio. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



