
O Disney+ lançou, nesta sexta-feira (4), os seis episódios da série Maria e o Cangaço, sua mais nova produção brasileira. Toda a produção foi gravada no Nordeste, com a maioria das cenas realizadas na mesma região usada como cenário para Cangaço Novo, drama nacional do Prime Video.
Cerca de 80% das cenas de Maria e o Cangaço foram feitas na Roliúde Nordestina, como a cidade de Cabaceiras (Paraíba) é apelidada. O local é muito requisitado no mundo do audiovisual tupiniquim, servindo de pano de fundo para grandes produções nacionais, como o filme O Auto da Compadecida (2000).
Na área urbana de Cabeceiras está o Memorial Cinematográfico, um espaço reservado para destacar todos os filmes, séries e novelas ambientados na região, com exposição de fotos e objetos usados na frente das câmeras.
Sérgio Machado, responsável pela direção-geral de Maria e o Cangaço, falou sobre a escolha de Cabeceiras como set para a série. “Desde sempre pensamos em filmar em lugares onde o cangaço aconteceu de fato. A região de Cabaceiras foi bastante conveniente, rica em paisagens e belezas naturais, entregava cenários fiéis à época e tinha estrutura para receber nossa equipe e elenco”, comentou, em entrevista ao próprio Disney+.
“Além disso”, continuou Machado, “os lajedos da zona rural de Cabaceiras tinham mais fácil acesso, com deslocamentos mais curtos e mais seguros.”
O diretor ressaltou que “parte da estrutura que Cabaceiras tinha a oferecer eram profissionais de equipe e elenco para compor nosso projeto, com a facilidade de que viessem também de Recife [Pernambuco] e da Paraíba. Tivemos um desafio, que era o de filmar cenas no Raso da Catarina e na região de Piranhas e, pelo desenho de produção e viabilidade, optamos por concentrar quase 80% das filmagens em Cabaceiras e região, e os outros 20% no Raso e região do Rio São Francisco (Piranhas)”.
A trama de Maria e o Cangaço
Inspirada no livro “Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço”, de Adriana Negreiros, a série Maria e o Cangaço é baseada na história real de Maria Gomes de Oliveira, a famosa como Maria Bonita, interpretada por Isis Valverde (novela A Força do Querer).
Maria Bonita foi a primeira mulher a integrar um grupo de cangaceiros. Ao contrário da maioria, ela era alfabetizada e ingressou no cangaço por opção. É conhecida por muitos como a lendária companheira de Lampião, personagem vivido por Julio Andrade (Sob Pressão, 1 Contra Todos).
Antes dessa aventura, Maria era uma jovem destemida que ousou impor sua voz em um mundo em que as mulheres viviam submetidas à vontade dos homens e à violência.
A obra analisa o papel das mulheres no cangaço e como essa história não é retratada quando falamos sobre esse período do Brasil. Visto que, na realidade, elas foram protagonistas ativas do movimento, além de se destacarem como estrategistas durante as batalhas, se tornando sinônimo de resistência contra a violência que acontecia diariamente.
Maria e o Cangaço traz batalhas épicas, relações políticas complexas e a luta por justiça e sobrevivência, contando com uma fotografia impressionante que valoriza as paisagens áridas do sertão e cenas históricas e de ação de tirar o fôlego.
No elenco estão nomes como Rômulo Braga, Mohana Uchôa, Clebia Sousa, Thainá Duarte, Geyson Luiz, Dan Ferreira, Jorge Paz, Chandelly Braz, entre outros talentos.
O drama tem como diretor de fotografia Adrian Teijido, profissional que assinou a cinematografia do filme brasileiro Ainda Estou Aqui (2024), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro na edição de 2025. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br