
Continuação de The Handmaid’s Tale, a série Os Testamentos: Das Filhas de Gilead tem causado muita confusão, principalmente entre quem está acompanhando a adaptação televisiva após ter lido o livro Os Testamentos (2019), de Margaret Atwood. O que tem gerado mais teorias é a compreensão sobre as verdadeiras identidades das adolescentes Daisy (Lucy Halliday) e Agnes (Chase Infiniti).
Isso acontece porque a série Os Testamentos não segue à risca o livro homônimo em um aspecto importante: o salto no tempo entre The Handmaid’s Tale e o spin-off é menor na TV (quatro anos) do que no material original (15 anos).
Ou seja:
- No universo literário, Daisy é a segunda filha de June (Elisabeth Moss), apresentada como bebê Nichole e também chamada de Holly em The Handmaid’s Tale.
- Na TV, Daisy NÃO é filha de June. A garota nasceu em Gilead, foi levada para o Canadá, cresceu em Toronto, foi recrutada pela resistência Mayday e inserida de volta no regime teocrático, situado em parte do atual território dos Estados Unidos.
- Por sua vez, tanto nos livros quanto na versão televisiva, Agnes é Hannah Bankole, filha mais velha de June com Luke. Em The Handmaid’s Tale, ela foi separada dos pais logo após o regime de Gilead ascender ao poder.
Showrunner de ambas as séries, Bruce Miller explicou o motivo por trás dessa diferença. “No livro, as personagens Daisy e Agnes têm idades bem diferentes, o que faz com que elas nunca estejam juntas como acontece na TV”, pontuou o roteirista em entrevista ao site The Hollywood Reporter.
“Eu não queria fazer nenhuma mudança, mas senti que precisava colocar Daisy e Agnes fisicamente no mesmo espaço, em vez de contar suas histórias com um intervalo de 15 anos, como no livro [Os Testamentos].”
Miller aproveitou para não deixar dúvidas: “Daisy não é Nichole/Holly.” Dito isso, ele fez duas revelações interessantes. A primeira foi sobre onde está Holly. “Ela existe na série Os Testamentos e ainda é uma criança, você vê as botinhas dela em uma cena e há pequenos indícios de que ela está por ali.”
Até como tempero provocativo, para justamente plantar uma semente de confusão nos fãs, ele propositadamente escalou uma atriz bem parecida com Elisabeth Moss para viver Daisy:
“Procurei construir a June como uma figura materna na vida da Daisy, uma presença ausente, mas ainda assim uma referência de mãe que ela conheceu. June carrega a mesma notoriedade que Nichole tinha no livro. Também busquei escalar alguém [para viver Daisy] que tivesse uma aparência semelhante ou que remetesse à June. Tentei preservar ao máximo a essência de Nichole na nossa Daisy, mas sem deixar de fazer dela uma personagem própria, com identidade própria.”
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



