
Quando a Apple decidiu entrar no mundo dos streamings, em 2019, ficou clara a estratégia da empresa mais conhecida pelos computadores, tablets e celulares mais desejados do planeta. O investimento em séries, por exemplo, seria bastante seletivo, priorizando a qualidade dos projetos em vez da quantidade.
Mais de seis anos depois, a colheita veio farta. No Emmy de 2026, a plataforma Apple TV recebeu incríveis 89 indicações, um recorde, à frente do Prime Video, do Hulu (streaming da Disney), do Disney+ e de todas as emissoras da TV aberta americana. Só ficou atrás da Netflix (111 indicações) e da dobradinha HBO/HBO Max (122).
E mais: foi o único streaming/canal/emissora com SEIS séries indicadas nas categorias de melhor comédia e melhor drama (três em cada):
- Melhor drama: Pluribus, Slow Horses, Seus Amigos e Vizinhos.
- Melhor comédia: Margô Está em Apuros, Falando a Real, O Segredo de Widow’s Bay.
Esse plano do streaming da maçã é o oposto de todos os rivais, que estão mais interessados no volume (lançando várias produções a cada semana) do que na curadoria do catálogo.
O Apple TV conseguiu as 89 indicações ao Emmy de 2026 após inscrever 31 programas. Netflix, por exemplo, submeteu 125 títulos. Ou seja, a taxa de aproveitamento do streaming da Apple é bem maior do que a da grande referência do mercado.
E tudo isso dando prejuízo para a empresa. Em 2025, uma reportagem do site The Information, especializado em tecnologia, mostrou que o streaming da maçã provoca, por ano, um rombo de mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões) nos cofres da Apple.
Mas tem um detalhe não tão pequeno assim: essa perda bilionária é um cisco em comparação com o lucro da empresa, valor suficiente para absorver tamanho déficit. Veja: no ano fiscal de 2024, a receita anual da Apple foi de US$ 391 bilhões.
Os executivos seguem apostando no Apple TV para firmá-lo no mercado como sinônimo de excelência, sem se importar (muito) com os desfalques no balanço financeiro ou com o fato de a audiência da plataforma ser de apenas 0,2% de todo o mercado televisivo americano.
Em entrevista ao site Deadline, Matt Cherniss, chefe de programação do Apple TV, falou sobre isso:
“Acho que, acima de tudo, continuamos acreditando na estratégia de priorizar a qualidade em vez da quantidade. Para nós, esse é o melhor caminho a seguir. Esse histórico [no Emmy] e taxa de conversão [programas versus indicações] mostram que a filosofia adotada tem dado resultado e reforçam que estamos no caminho certo.”
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



