
A Netflix lançou, neste sábado (1º), a primeira temporada de Halo, produção original do streaming Paramount+. Baseado no famoso game homônimo, o drama militar de ficção científica demorou oito anos para ficar pronto e custou mais de meio bilhão de reais (só a primeira leva). Apesar de tamanho investimento, a série não vingou e foi cancelada abruptamente, no ano passado, após a segunda temporada.
Halo na Netflix é a extensão da parceria entre a gigante do streaming e o grupo Paramount. Várias atrações do streaming da montanha foram adquiridas pela plataforma do tudum, no esquema segunda janela de exibição. Integram esse pacote grandes produções como Yellowstone, Yellowjackets e Ghosts.
Nos sites que compilam reviews de veículos da imprensa de língua inglesa, a primeira temporada de Halo foi mal avaliada: nota 61 (de 100) no site Metacritic; índice de 70% no Rotten Tomatoes.
No começo da década, quando a guerra dos streamings ainda estava acontecendo, o Paramount+ resolveu entrar na briga com uma cartada daquelas. O grupo da montanha simplesmente não poupou recursos e fez um investimento à la Game of Thrones para concretizar a realização dessa adaptação difícil de um game muito conhecido.
Como o game Halo virou série
Para não fazer feio em comparação à concorrência, o Paramount abriu o cofre. Cada um dos nove episódios saiu por US$ 10 milhões, dando um total de US$ 90 milhões (R$ 532 milhões). A maior parte dessa fortuna foi despejada nos departamentos de cenografia, efeitos especiais, departamento do som e direção de arte.
Logicamente, o investimento se justificava, pois a missão era fazer um live action de um joguinho cujas vendas passavam da marca dos 6 bilhões de dólares (o primeiro game chegou às lojas em 2001).
A primeira temporada de Halo estreou em março de 2022, no Paramount+. A pedra fundamental da versão televisiva foi plantada em 2014, quando a dona do jogo, Microsoft, decidiu transformá-lo em uma série, achando que esse caminho seria melhor do que o do cinema. Isso pelo fato de o universo da história ser bastante amplo (o jogo em si é longo: é preciso de cerca de dez horas para terminá-lo).
Naquela época, o grupo Paramount ainda não tinha o seu streaming. Então, a série Halo caiu no colo do canal Showtime, parte do conglomerado. A questão era que o canal não era célebre por ter em seu plantel séries de ficção científica (foi casa de Ray Donovan e Dexter, para citar somente duas atrações).
O processo seguiu lentamente devido à dificuldade de se criar uma história para ser adaptada na TV. Era necessário elaborar um fio condutor coeso entre tantas jornadas oferecidas pelo jogo. A demora foi tanta que 2021 chegou e nada, ano no qual surgiu o Paramount+ e o drama mudou de lar.
De cara, Halo fez bonito. Pesou, claro, a curiosidade de acompanhar uma série sem o rosto do protagonista. O personagem principal atende pelo nome de Master Chief John-117, interpretado por Pablo Schreiber (Orange Is the New Black). Ele integra a força militar altamente treinada batizada de Comando Espacial das Nações Unidas, formada por supersoldados, conhecidos por Espartanos, seres humanos geneticamente modificados.
No game, ninguém sabe como é o Master Chief John-117 por trás da armadura. A série Halo bolou uma justificativa para mudar isso, e o público teve a oportunidade de ver o personagem sem capacete.
A encomenda da segunda temporada veio, leva lançada dois anos após a primeira, mas a ficção científica flopou. Pesou contra inúmeros problemas, com várias trocas de showrunners e diretores, o que afetou a construção e coerência da narrativa. Para piorar, os fãs do game homônimo reprovaram a série, avaliada negativamente até mesmo por um dos criadores da franquia.
O cancelamento foi decretado em julho do ano passado. Contudo, as produtoras da série, Amblin, Xbox e 343 Industries, permanecem dispostas a encontrar outra plataforma ou canal que tope um resgate para a realização da terceira temporada. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br