
Por causa de um anúncio de jeans e da ausência de um posicionamento político claro, Sydney Sweeney foi coroada como Maga Barbie, a musa da direita. Estrela da série Euphoria e brilhando no filme A Empregada, a atriz rejeitou o rótulo ao falar sobre essa e outras questões em perfil da atual edição da revista Cosmopolitan, na qual é a garota da capa.
O início da controvérsia se deu em agosto do ano passado, quando Sydney protagonizou uma propaganda da American Eagle, popular marca americana especializada em roupas jeans. O tal comercial foi acusado de ser eugenista, como se estivesse passando uma mensagem subliminar de teor nazista, promovendo a linhagem “branca, loira e de olhos azuis”.
Ela chegou até a ser celebrada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, devido ao fato de Sydney ser, supostamente, uma atriz de direita, conservadora. Isso porque ela fez um registro no qual diz ser republicana, ao votar nas eleições presidenciais americanas de 2024; ela, então, seria eleitora de Trump. Republicano é o partido da direita no jogo do poder nos EUA.
Daí foi um passo para ser rotulada de Maga Barbie (Maga é um acrônimo para Make America Great Again, ou Faça a América Grande Novamente, em português, lema de um movimento direitista, político e social exclusivamente dos Estados Unidos, registra-se).
Para a Cosmopolitan, a atriz defendeu a separação entre arte e política, explicando por que evita se posicionar publicamente sobre questões partidárias, mesmo diante desses julgamentos e ataques com origem nas redes sociais.
“Não estou por aqui para falar de política. Estou aqui para fazer arte, então essa simplesmente não é uma conversa que eu queira colocar em primeiro plano”, declarou. “E acho que, devido a isso, as pessoas querem ir ainda mais longe e me usar como uma espécie de peão. Então, é outra pessoa atribuindo algo a mim, coisa que não tenho como controlar.”
A atriz também comentou o dilema de rebater boatos, para deixar claro de que lado está no debate partidário. Para ela, qualquer tentativa de esclarecimento nessa linha parece inútil em um ambiente polarizado no qual as respostas são vistas com desconfiança.
“Eu ainda não descobri como lidar com isso. Não sou uma pessoa cheia de ódio. Se eu disser: ‘Isso não é verdade’, eles vêm para cima de mim dizendo: ‘Você só está falando isso para ficar bem na foto’. Não há como vencer. Não existe saída vencedora. Eu só preciso continuar sendo quem eu sou, porque sei quem eu sou. Não posso fazer todo mundo gostar de mim. Eu sei pelo que eu luto.”
Recentemente, Sydney Sweeney reconheceu que seu silêncio prolongado diante da controvérsia da American Eagle pode ter contribuído para ampliar fissuras em vez de reduzi-las. Apesar dessa visão, ela pretende seguir de boca fechada quando a conversa for sobre questões ideológicas.
“Não sou uma pessoa da política. Sou das artes”, afirmou. “Não estou aqui para falar de política. Essa não é uma área em que eu sequer tenha imaginado me envolver. Não foi por isso que me tornei quem sou. Virei atriz porque gosto de contar histórias, mas não acredito no ódio de nenhuma forma. Acredito que todos deveríamos nos amar e ter respeito e compreensão uns pelos outros”. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



