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Fatos sobre a Peste Negra, pandemia retratada na série Decameron

Doença letal varreu a Europa e matou cerca de 33% da população
REPRODUÇÃO/NETFLIX
Cena da minissérie Decameron
Cena da minissérie Decameron

Na última quinta-feira (25), a Netflix lançou a minissérie Decameron, ambientada na Europa durante a pandemia de Peste Negra, em meados do século 14. Cenas da comédia mostram pessoas morrendo nas ruas aos montes, jogadas pelos cantos e levadas falecidas em carrinhos de mão como se fossem cargas. Foi realmente algo tão devastador assim?

O Diário de Séries preparou um guia prático com fatos sobre a Peste Negra, também conhecida como Peste Bubônica. Trata-se de uma das pandemias mais letais da história da humanidade. Confira:

Ano: o auge da doença foi entre 1347 e 1351, na Europa (Decameron começa a história em 1348). Apesar do foco no Velho Continente, a pandemia chegou em outras partes do mundo.

Sintomas: febre alta, calafrios, dor de cabeça intensa, fadiga, tosse com sangue, dor no peito, dificuldade respiratória.

Traços no corpo: pele escurecida ou necrosada, hemorragias internas e externas, choque séptico, bolhas na pele.

Número de mortos: a estimativa é que, na Europa, no período de quatro anos do auge da Peste Negra, morreram 25 milhões de pessoas, um terço da população da época.

Taxa de mortalidade: isso era uma coisa que variava. A forma bubônica tinha uma taxa de letalidade entre 30% e 60%. A forma septicêmica era quase sempre fatal se não tratada, e a forma pneumônica tinha uma taxa de mortalidade de quase 100% sem intervenção médica.

Transmissão: A principal via de transmissão da Peste Negra era através das pulgas que parasitavam ratos-pretos (por isso os roedores estão presentes na abertura de Decameron). Quando os ratos morriam, as pulgas buscavam novos hospedeiros, incluindo seres humanos. Além da transmissão por pulgas, a doença podia se espalhar pelo ar, via gotículas respiratórias de pessoas infectadas, especialmente na forma pneumônica da peste.

Ainda existe: a doença não foi erradicada por completo. Há casos isolados, porém com o tratamento adequado, na base de antibióticos e outros remédios, ela praticamente não mata mais.

Origem: acredita-se que a Peste Negra tenha surgido na Ásia Central, espalhando-se para a Europa pelas rotas comerciais. Os mercadores genoveses, em particular, são mencionados como vetores que transportaram a doença ao retornarem de Caffa, uma colônia genovesa na península da Crimeia, que estava sob cerco dos tártaros. Os exércitos em guerra usavam táticas de guerra biológica rudimentar, catapultando cadáveres infectados para dentro das muralhas da cidade.

Consequências: o impacto da pandemia foi profundo e duradouro. A escassez de mão de obra aumentou os salários dos trabalhadores sobreviventes e enfraqueceu o sistema feudal. A mortalidade elevada entre clérigos, frequentemente em contato com os doentes, levou a uma crise na Igreja Católica, enfraquecendo sua autoridade. Além disso, surgiram movimentos religiosos e sociais, como os flagelantes, que buscavam respostas para a calamidade através da autoflagelação e outras práticas extremas. 

Tanto as questões sobre clérigos quanto a do autoflagelo são encenadas na comédia Decameron.

 

Capa do livro Decameron, publicado pela L&PM Editores
Capa do livro Decameron, publicado pela L&PM Editores

Repercussão cultural: A Peste Negra deixou uma marca forte na cultura europeia. A arte e a literatura da época refletiam o tema da morte e do sofrimento. As danças macabras, representações artísticas da morte dançando com vivos de todas as classes sociais, tornaram-se populares, simbolizando a inevitabilidade da morte e a igualdade de todos perante ela.

A série Decameron, por exemplo, tem como base contos clássicos italianos, escritos por Giovanni Boccaccio. Um dos temas abordados é a luta de classes numa pandemia.

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