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Opinião: Euphoria cruza o limite da arte ao explorar corpo de Sydney Sweeney

Cassie, personagem da atriz, é tratada como objeto na trama
REPRODUÇÃO/HBO
Sydney Sweeney na 3ª temporada de Euphoria
Sydney Sweeney na 3ª temporada de Euphoria

O episódio This Little Piggy, o quinto da terceira temporada de Euphoria, cruzou o limite da arte erótica e sedutora que o criador Sam Levinson justifica ao explicar o arco narrativo de Cassie, interpretada por Sydney Sweeney, jovem que decide ganhar a vida expondo seu corpo e realizando fetiches sexuais no OnlyFans.

A série dedicou toda a abertura do capítulo desta semana para objetificar o corpo da atriz em nome de uma decisão criativa que se torna bastante questionável. Além de provocar aversão até entre pessoas mais liberais e sexualmente positivas, a jornada da personagem incita revolta em mulheres influencers e criadores de conteúdo no OnlyFans; elas dizem que o drama jovem adulto da HBO ridiculariza essa dinâmica de trabalho e encena situações distantes da realidade.

Entre performances fetichistas e encenações deliberadamente caricatas, Cassie surgiu ao longo de Euphoria fantasiada de cachorro, usando coleira, orelhas caninas e cauda, além de posar como bebê. Esta última cena foi a gota d’água, pois implica em coisas impublicáveis e que o próprio OnlyFans proíbe (ensaios infantilizados).

Para Levinson, a trajetória de Cassie na terceira temporada de Euphoria tem como objetivo flertar com o absurdo do contexto no qual a personagem está inserida. Afinal, ela decide entrar no OnlyFans para pagar um boleto de 50 mil dólares para ter um tipo específico de flor em seu casamento. Isso resulta no fato de ela bancar o marido, que não vê problema algum em ver a mulher vendendo seu corpo online, pois parte do dinheiro que ela ganha cai no bolso dele.

“O que sempre queríamos encontrar [com Cassie] era essa outra camada de absurdo que conseguimos incorporar a cada cena, para não ficarmos presos demais à fantasia ou à ilusão dela”, disse Levinson, em entrevista ao site The Hollywood Reporter. “A graça está justamente em sair desse universo [idealizado].”

“Queríamos capturar aquilo que ela tenta mostrar ao público e mergulhar nessa estética, mas também abrir o plano e revelar o quão deprimente aquilo realmente é.”

A exposição de Cassie reforça preconceitos históricos contra profissionais do sexo e alimenta a associação entre trabalho sexual, exploração e ausência de limites morais. As trabalhadoras desse nicho são tratadas como figuras degradadas ou cômicas, sem qualquer preocupação em compreender a realidade por trás desse mercado.

Fora isso, tem acusações de que Levinson está simplesmente retratando seus próprios desejos acerca dos traços físicos de Sydney Sweeney. As cenas seriam, então, a concretização de fantasias eróticas masculinas frequentemente construídas em salas de roteiristas de Hollywood.

Até agora, Euphoria oferece um olhar caricato, explorador e reducionista lançado sobre profissionais do sexo que estão no OnlyFans. É a repetição de um padrão recorrente da indústria audiovisual: transformar trabalhadores desse universo em figuras trágicas, ridículas ou moralmente distorcidas.

Para tanto, o corpo de Sydney Sweeney serve como produto a ser sugado, nada a ver com arte ou desenvolvimento narrativo.

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