
Lançada em 2014, a série Estrada de Sangue (The Red Road) está em alta no Brasil. Isso porque, na última sexta-feira (26), entrou no catálogo da Netflix, ficando assim muito mais acessível do que na época em que estreou por aqui, quando fez parte da programação do canal pago Sundance TV, então restrito e hoje extinto, voltado a produções independentes e autorais.
Na Netflix estão as únicas duas temporadas de Estrada de Sangue (12 episódios, no total). A série não chegou à terceira leva de episódios, sendo cancelada em maio de 2015. Quem anunciou o fim foi o ator Jason Momoa, em postagem no Instagram, assim que recebeu a mensagem de que estava livre para ir atrás de novos projetos.
A série passou tão batida que nem o Sundance TV se pronunciou oficialmente. Por ser voltado à arte, o canal não divulgava dados de audiência. No entanto, medições da Nielsen, o Ibope americano, revelaram que Estrada de Sangue atingiu números irrisórios, nos Estados Unidos, como ser vista por 0,03% do público adulto (18 a 49 anos).
A segunda temporada, por exemplo, teve média geral baixíssima de 178 mil telespectadores por episódio, queda em relação à primeira (210 mil).
Liberados, os protagonistas logo conseguiram novos empregos: Momoa passou a liderar a série Frontier, com três temporadas disponíveis na Netflix; e Martin Henderson entrou para o elenco de Grey’s Anatomy, interpretando um médico que se tornou interesse romântico de Meredith Grey (Ellen Pompeo).
Estrada de Sangue é boa?
Na trama envolvente da série, o policial Harold Jensen (Henderson) é o eixo central da narrativa. Ele luta para preservar a unidade da família após se envolver em um acobertamento associado à fragilidade emocional de sua mulher, Jean (Julianne Nicholson), uma alcoólatra em recuperação que, sem diagnóstico formal, tenta controlar a esquizofrenia por meio do consumo de álcool.
O drama íntimo se entrelaça ao conflito externo quando Jensen cruza o caminho de Phillip Kopus (Momoa), integrante do povo indígena Ramapough Mountain. A comunidade, reconhecida pelo governo americano, está situada nas montanhas de Ramapo, em uma região de fronteira entre Nova York e Nova Jersey.
É ali, na fictícia cidade de Walpole, em território nova-iorquino às margens do rio Hudson e de frente para Nova York, que as tensões pessoais, institucionais e culturais se chocam e dão forma ao enredo.
Apesar do cancelamento um tanto abrupto, Estrada de Sangue vale a maratona, sendo uma oportunidade de acompanhar uma obra audiovisual americana com pegada mais autoral do que aquelas produções que movimentam a grande engrenagem da indústria hollywoodiana. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



