MUNDO ESPIRITUAL

Análise: Yu Yu Hakusho e a filosofia da recompensa pós-morte

Live-action da Netflix provoca bom debate sobre Céu e Inferno
REPRODUÇÃO/NETFLIX
Takumi Kitamura na série Yu Yu Hakusho
Takumi Kitamura na série Yu Yu Hakusho

Com influência budista, a trama da série Yu Yu Hakusho propõe um debate proveitoso sobre recompensa pós-morte e a dialética do bem e mal. No esquema cara-crachá, o live action da Netflix, lançado na última quinta-feira (14), segue à risca a premissa do mangá no qual se baseia, cuja base tem conceitos do budismo e pensamentos sobre Céu e Inferno.

Querendo ou não, o brasileiro encara o pós-morte pela visão clássica cristã, do paraíso contrapondo a aniquilação eterna. A solução acerca disso é, aparentemente, simples. Quem é bondoso tem casa reservada nas regiões celestiais. Já o maligno vai queimar nas trevas. Agora, e a pessoa má que faz o bem, como que fica? E se o gesto altruísta ocorrer antes da morte, tal ser vai para qual lugar ao perder o sopro da vida?

Aí entra a proposta interessante de Yu Yu Hakusho. O adolescente Yusuke (Takumi Kitamura), de 17 anos, adora arrumar briga, um encrenqueiro de primeira grandeza. Ele vive no modo fo#@-$&, está nem aí para nada. Até que, durante um passeio, ele vê uma caminhonete desgovernada adentrando um calçadão lotado de gente. Quando o veículo está prestes a bater em um menino, Yusuke o salva do atropelamento. Contudo, o adolescente rebelde acaba sendo atingido e morre na hora.

Enquanto tenta entender que morreu, ele conhece uma mulher chamada Botan (Kotone Furukawa), guia do mundo espiritual, que conta uma verdade chocante: ninguém esperava que um jovem conhecido por seu mau comportamento como Yusuke morresse em um ato de bondade, por isso não há lugar para ele nem no Céu nem no Inferno.

Uma nova chance

A série Yu Yu Hakusho dedica um pedaço para mostrar a dinâmica cristã de Céu e Inferno. Governante do mundo espiritual, Koenma (Keita Machida) é quem determina o destino das pessoas que morrem. Ele analisa a vida de um homem que faz o bem a todo instante, sendo gentil com as pessoas por onde quer que vá. Esse está destinado ao paraíso. Na sequência, a avaliação é de um homem rude, grosseiro, violento e beberrão. A jornada desse o levará ao fogo eterno.

Mas, e Yusuke? Como não tem lugar nem no Céu nem no Inferno, Koenma oferece uma proposta. O jovem ganha a oportunidade de ressuscitar desde que aceite virar uma espécie de detetive sobrenatural. Sua missão, no mundo dos viventes, é investigar atividades de demônios que agem entre os humanos e desequilibra a harmonia do universo espiritual. Yusuke ganhou uma nova chance.

No budismo, o Céu e o Inferno clássico cristão não existem, seja a salvação ou perdição eternas. Não se condena alguém por causa de sua fraquezas ou desvios de conduta pura e simples, por exemplo. É pregado a possibilidade de uma nova chance para se redimir e se desenvolver. Ou seja, o inferno não tem portão nem cadeado. Quem porventura for para lá, pode sair. 

A dialética do bem e mal está presente ao longo dos episódios de Yu Yu Hakusho. Yusuke é surpreendido ao se deparar com uma entidade supostamente maligna que roubou algo importante do submundo para fazer o bem. Pensativo, ele faz a seguinte pergunta a sua amiga, Keiko (Sei Shiraishi): “[Você] acha que entre os caras do mal pode ter gente boa?

“Acho que sim”, Keiko responde. “Veja você [ela falando de Yusuke]. Quem não te conhece bem acha que você é um pouco rebelde e encrenqueiro. Mas sei que isso não é verdade. Eu tiro minhas conclusões. Não importa o quanto o mundo diga que uma pessoa é ruim. Se eu acho que ela é boa, ela é boa. Da mesma forma, mesmo que o mundo diga que alguém é bom, seu eu achar que é um idiota, é um idiota. Aprendi isso com você, Yusuke”.


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