CRÍTICA

Ao contrário do que dizem por aí, Netflix acerta com a boa That ’90s Show

Sitcom é filhote da clássica e consagrada That '70s Show (cuidado com as comparações)
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Laura Prepon (à esq.) com Callie Haverda em That '90s Show
Laura Prepon (à esq.) com Callie Haverda em That '90s Show

Divertida, leve, jovial, nostálgica e com ótimas piadas. A (boa) comédia That ’90s Show é um acerto da Netflix, aposta arriscada por ser spin-off de uma atração altamente popular, That ’70s Show. O que está cegando algumas pessoas, aquelas que falam mal da nova atração, é a comparação inevitável entre a série mãe e a filhote. Assim, ignoram que a produção derivada, por si só, é suficiente e cumpre o que promete: ser um bom entretenimento e gerar muitas risadas.

Um sinal de que That ’90s Show é agradável dá-se na percepção do tempo. Os episódios fluem sem turbulências, misturando bem o fio da meada da narrativa com situações cômicas. Logo se percebe que a série tem apenas dez episódios; cabia mais do que isso, tranquilamente. É uma sensação oposta à de Blockbuster, sitcom flopada e cansativa cancelada pela Netflix após a primeira temporada.

O que centraliza as críticas negativas mais fortes contra That ’90s Show é a inconsistência do elenco de jovens no centro da história. Isso porque são feitos paralelos com o quinteto de That ’70s Show. É uma correlação injusta, pois o grupo de atores da série mãe é um caso à parte de excelência na escalação de elenco. Pouquíssimas séries, drama ou comédia, conseguiram reunir tantos talentos que se entrosaram e encaixaram perfeitamente como fez a sitcom ambientada na década de 1970.

Ainda mais porque os novatos de That ’90s Show, situada nos anos 1990, são bons. Principalmente a atriz no centro da trama, Callie Haverda, intérprete de Leia Forman, filha de Eric (Topher Grace) e Donna (Laura Prepon). Ela entrega muito bem a performance de uma adolescente inteligente, tímida e desajeitada que embarca em aventuras buscando ser mais descolada.

Ao lado dela está outra boa revelação da sitcom. Ashley Aufderheide faz a Gwen, encarnando a típica garota rebelde punk/feminista dos anos 1990. A missão da jovem é fazer com que a nova amiga Leia se solte mais e aproveite essa fase da vida da melhor maneira possível. O entrosamento das duas é no ponto.

As falhas de That ’90s Show, sejam em pequenas coisas no roteiro ou no desenvolvimento do enredo, são notadas se a pessoa for ver a comédia com uma lupa de detetive atrás dos erros para montar uma lista. Prestar atenção se na locadora mostrada nos episódios tem um filme na prateleira que não foi lançado naquela época em que a cena está se passando é uma forma muito ruim (triste até) de acompanhar a série.

That ’90s Show foi feita para distrair. É a opção ideal para reservar meia hora do dia e simplesmente se entregar ao riso e ao relaxamento. Pode crer que, fazendo isso, a experiência de assistir à nova comédia da Netflix será muito melhor e mais proveitosa.


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