POTENCIAL DESPERDIÇADO

Crítica: estética de Últimas Férias chama mais a atenção do que trama opaca

Drama nacional estilo quem matou perde tempo com futilidades
DIVULGAÇÃO/STAR+
Ronald Sotto com Lara Tremouroux em Últimas Férias
Ronald Sotto com Lara Tremouroux em Últimas Férias

As primeiras cenas de Últimas Férias, nova série brasileira do Star+, deixam claro que na tela está uma produção muito bem acabada, com estética incrível e rara de ser vista por aí. Pena que o capricho voltado à direção, captação de imagem e fotografia não foi o mesmo dado ao roteiro. Assim, o drama nacional fica manco. Por um lado, apresenta um visual estonteante e agradável. Na outra ponta, a trama é opaca e demora para engrenar, cheia de histórias paralelas desnecessárias.

Últimas Férias é aquele tipo de série que, quando você recomenda a um amigo, a dica dada é: “A coisa começa a pegar fogo no quarto episódio [são oito, no total]”. Toda atração que necessita desse aviso tem um problema grave.

E olha que a história de Últimas Férias é boa, mas teve seu potencial estragado. A narrativa segue os passos de um grupo de amigos que são atletas de um clube esportivo. Ao final do ano de competições, eles resolvem tirar a tal das últimas férias juntos.

O point de encontro é uma casa dos sonhos localizada em um local de cair o queixo no litoral, bem numa praia paradisíaca. O que começa como um momento de união e diversão, pouco a pouco se transforma em um emaranhado de conflitos interpessoais que corroem as relações do grupo.

Ao final da viagem, o corpo morto de um dos jovens é encontrado na praia, e todos são suspeitos do crime. A investigação conduzida pela jovem delegada Vera (Bella Camero, de Insânia) revela segredos, expondo detalhes perigosos e perturbadores.

Elenco principal da série Últimas Férias
Elenco principal da série Últimas Férias

Os problemas de Últimas Férias

Apostando na infalível fórmula do quem matou, a série nacional teria muito mais corpo se focasse na investigação desde o primeiro instante, mesmo que de forma indireta. Mas não. A trama perde muito tempo, nos episódios iniciais, com bobagens que nada acrescentam, como dinâmicas bobas travadas pelos personagens para passar o tempo na casa de praia.

A pessoa morta é mostrada no final do primeiro episódio. No capítulo seguinte, já deveria haver um mergulho nos possíveis suspeitos, destrinchando quem teria motivo para cometer o suposto crime. Isso valeria tanto para comprometer os amigos vivos como explorar alguns podres de quem morreu, como se houvesse a mínima justificativa para ser alvo de um ódio descomunal.

A semente da discórdia é plantada apenas no final do terceiro episódio, quando alguém do grupo dos amigos entra em contato com a delegada Vera dizendo saber quem matou. Só a partir desse ponto começa a investigação para valer, expondo todo tipo de intriga, fofocas e trairagem entre os amigos. Ou seja, a série passa a ficar boa.

Só que até chegar nesse ponto o telespectador sofre com o vazio. Quem dá o play na atração acreditando que vai acompanhar uma trama robusta estilo quem matou se frustra por causa dessa montagem do enredo. Tem muita, mas muita enrolação nos primeiros episódios. Era melhor encurtar a narrativa, com cinco ou seis capítulos somente, tornando-a mais dinâmica e agitada, sem desvios.

O sexto episódio é o primeiro a, do começo ao fim, se dedicar exclusivamente à investigação da morte e motivação do suposto crime. Não tem história filler, a que preenche espaço opaco. É um exemplo de como a série como um todo poderia ser desde o início.

Todos os personagens têm boas construções. A história de Bruno (Ronald Sotto) é apetitosa, pois trata-se de um craque do polo aquático que se envolve com doping, caso com várias ramificações. Tem ainda a moça fofoqueira que só causa discórdia e quer chamar a atenção para si (Malu, vivida por Lara Tremouroux), a jovem sedutora (Ana, por Luana Nastas) que tem conta em app tipo OnlyFans e vive um caso com a sogra…

Entretanto isso se perde em uma execução errada da história. O saldo final é bom, porém poderia ser muito melhor. Últimas Férias é medalha de ouro no visual, enquanto tira a nota mínima para passar de ano quando o assunto é roteiro.


Siga o Diário de Séries no WhatsApp

Acompanhe o Diário de Séries no Google Notícias

Siga nas redes

Fale conosco

Compartilhe sugestões de pauta, faça críticas e elogios, aponte erros… Enfim, sinta-se à vontade e fale diretamente com a redação do Diário de Séries. Mande um e-mail para:
contato@diariodeseries.com.br
magnifiercross
error: Conteúdo protegido!