SOB MEDIDA

Crítica de Recomeço: romance enjoativo é criação perfeita do algoritmo da Netflix

Após sequência de tramas pesadas, gigante do streaming emplaca história leve
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Zoe Saldaña e Eugenio Mastrandrea na minissérie Recomeço
Zoe Saldaña e Eugenio Mastrandrea na minissérie Recomeço

Romance enjoativo, didático, previsível e… líder de audiência. A minissérie Recomeço é o resultado perfeito do algoritmo da Netflix. O drama apresenta elementos, quase que criados por um computador, para atingir em cheio a vontade do assinante, que a cada clique na plataforma informa à gigante do streaming o que mais gosta de assistir. E Recomeço chegou para saciar a necessidade de uma atração leve, bobinha e simples. Eis o passatempo ideal.

O time por trás de Recomeço foi escolhido a dedo para concretizar a nova atração da Netflix. A história vem do livro homônimo escrito por Tembi Locke. A autora se uniu à irmã roteirista, Attica, e criou a minissérie. Attica tem experiência na TV, trabalhando na novelesca Empire e em Little Fires Everywhere, outra adaptação de livro.

Na direção está Nzingha Stewart, que tem no currículo filmes estilo Sessão da Tarde feitos para o canal americano Lifetime. A visão dela foi fundamental para criar toda a vibe da atração, flertando com uma fábula, que acabou dando certo.

Superar a fase do enjoo

O X da questão de Recomeço é o romance elevado à décima potência. Quem é fã do gênero e curte histórias do tipo aceita bem os exageros um tanto quanto risíveis da narrativa. Como quando a protagonista, Amy (Zoe Saldaña), diz que está na cidade italiana de Florença apenas para estudar e se reinventar. “A última coisa que eu quero é encontrar amor aqui”, afirma. Logo depois, ela se esbarra naquele que será o amor da vida dela.

Recomeço é um caldeirão de tramas românticas explícitas. Tem casamento, desavenças na família sobre o relacionamento, doença, sacrifícios, química sexual e até o sempre emblemático beijo apaixonado no meio de uma chuva torrencial.

Quem não estiver com o romantismo calibrado vai ficar enjoado de tudo isso, sem segurar o riso em determinados momentos. E isso pode afastar parte do público antes de a minissérie entrar em uma fase mais densa e realmente dramática. Para tanto, contudo, tem de se pagar o pedágio do grude amoroso.

Pelo conjunto da obra, Recomeço tem se mostrado uma opção de escape, tipo Emily em Paris no auge da pandemia da Covid-19. Tem-se ali uma história inalcançável para muitos, que serve de atalho para fugir dos dramas reais do cotidiano.

O que ajuda nessa fuga são os registros magníficos de Florença. Quando a série, no início, deixa a Itália para aterrissar nos Estados Unidos, fica aquele gostinho de quero mais, suprido em seguida. O país europeu se encaixa como uma luva na essência de Recomeço.

Depois de emplacar uma minissérie baseada em fatos reais tenebrosos e grotescos (Dahmer), acompanhada de uma outra história sinistra (Bem-Vindos à Vizinhança), a Netflix entrega uma produção tipicamente pasteurizada. Nada se aproveita quando o assunto é qualidade, longe da nota dez. Mas o público aprovou, deixando o algoritmo da plataforma feliz.

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