CRÍTICA

Agentes do FBI explora perigo da inteligência artificial agindo como polícia

Drama atual e com grande elenco estreia nesta quarta (21), no Star+
DIVULGAÇÃO/HULU
Brian Tyree Henry na série Agentes do FBI
Brian Tyree Henry na série Agentes do FBI

A inteligência artificial (IA) é o tema universal da vez. Tudo sobre ela é dissecado, da influência na escola até a modificação no modo de trabalhar. E se algoritmos e computadores agissem como polícia, o mundo seria mais seguro ou não? É essa a proposta de Agentes do FBI, nova (boa) minissérie policial que estreia nesta quarta-feira (21), no Star+, com todos os oito episódios.

Com grande elenco, a trama tem o mérito de trazer algo novo ao gênero tão popular e onipresente na TV. O fato de ser bem atual ajuda, mas ela vai além ao avançar o debate acerca de como a inteligência artificial pode ser usada contra a bandidagem, impondo a lei. A IA deve ser soberana ou um humano precisa está por trás mexendo os pauzinhos para controlá-la?

No papel, a ideia do computador facilitar a captura de criminosos usando dados é interessante, pois assim ajudaria os policiais nessa caça, evitando casualidades e aumentando a precisão das investigações.

Contudo, na prática, não é assim que acontece. O sistema automatizado acaba piorando o que os policiais de carne e osso fazem com frequência, revelando preconceito na hora da aplicação da lei, praticando prisões injustas e fichando pessoas inocentes.

Kate Mara em cena de Agentes do FBI
Kate Mara em cena de Agentes do FBI

A trama de Agentes do FBI

Agentes do FBI se passa em três linhas do tempo, no passado, presente e futuro. 

No caso, o passado é em 2009 (daí vem o nome da série, Class of ’09, que na tradução direta do inglês fica Classe de 2009). Tem-se a turma de recrutas do FBI que entram na academia da força, em Quantico, Estado da Virgínia (EUA). Lá estão os principais personagens da história: Tayo Michaels (interpretado por Brian Tyree Henry), Ashley Poet (Kate Mara), Daniel Lennix (Brian J. Smith) e Hour Nazari (Sepideh Moafi).

O presente se passa em 2023, quando esses agentes estão em missões especiais como integrantes da corporação, fazendo investigações à paisana ou trabalhando dentro do FBI.

Já o futuro leva o telespectador para 2034. Aqui, são apresentadas algumas situações que a série aos poucos vai explicar como aconteceu. É revelado que o FBI, por exemplo, foi alvo de um ataque brutal, justamente em 2023. E Tayo, então recruta azarão lá em 2009, agora é o atual diretor do FBI.

Pôster de Agentes do FBI com os personagens nas diferentes linhas do tempo
Pôster de Agentes do FBI com os personagens nas diferentes linhas do tempo

O uso da inteligência artificial como polícia levou Tayo ao cargo mais poderoso da instituição. Nesse futuro, ele está há mais de uma década chefiando o FBI e, perante o Senado americano, faz apelo para que seu mandato se estenda a mais cinco anos. Como justificativa, diz que a IA implementada por ele contribuiu decisivamente para a queda histórica da criminalidade nos Estados Unidos.

Daí vem uma pergunta: qual o preço pago para chegar a essa redução? É preciso acompanhar a intrigante narrativa para compreender isso. Tayo tem experiência pessoal ao defender a inteligência artificial substituindo o humano como polícia. E atropelou relações no trabalho e na família para conquistar o que acreditava ser o certo.

A base da IA em questão foi arquitetada pela agente Hour. Mas a ideia dela era apenas criar um sistema efetivo computadorizado com dados de todos os bandidos presos na América, auxiliando assim nas missões dos agentes. 

Tayo, entretanto, pegou esse programa e turbinou com a IA, causando um estrago que pode até ter reduzido a criminalidade, mas gerou insatisfação geral por causa da eliminação do princípio da presunção da inocência, fundamento jurídico e constitucional.

Com precisão, Agentes do FBI insere ação e trabalho de detetive/espionagem nessa trama bem estruturada e desenvolvida, tratando de assunto em voga na sociedade contemporânea. Ao telespectador, cabe coletar as informações e fazer a própria avaliação sobre o que fazer com a inteligência artificial no âmbito policial. Pois uma coisa é certa: ela veio para ficar; basta achar a melhor forma de usá-la.


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