NA JUSTIÇA

FBI acusa cineasta Carl Rinsch de roubar US$ 11 milhões da Netflix; entenda o caso

Dinheiro era para concluir série de ficção científica que chegou a ser gravada em São Paulo
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Carl Rinsch, cineasta acusado de roubar a Netflix
Carl Rinsch, cineasta acusado de roubar a Netflix

O cineasta Carl Rinsch, do filme 47 Ronins, foi preso, acusado de roubar US$ 11 milhões da Netflix, dinheiro dado a ele para finalizar uma série de ficção científica. Promotores federais americanos e o FBI indiciaram o diretor por supostamente embolsar essa fortuna e gastá-la com coisas pessoais. E a gigante do streaming ficou no vácuo, sem sequer ver um único trecho pronto do prometido drama, com atuação de Keanu Reeves e cenas gravadas em São Paulo.

Rinsch responde em liberdade após pagar, na última terça-feira (18), fiança de cem mil dólares.

Caso seja considerado culpado, Carl Rinsch pode passar o resto da vida atrás das grades. “Ele orquestrou um esquema para roubar milhões solicitando um grande investimento de um serviço de streaming [Netflix] alegando que o dinheiro seria usado para financiar um programa de televisão que ele estava produzindo”, disse Matthew Podolsky, procurador federal dos Estados Unidos.

“Em vez disso, Rinsch supostamente usou os fundos em despesas pessoais e investimentos, incluindo opções altamente especulativas e negociação de criptomoedas. A prisão do cineasta é um lembrete de que este escritório e nossos parceiros do FBI permanecem vigilantes na luta contra fraudes e levarão aqueles que trapaceiam e roubam à Justiça.”

“O FBI continuará a perseguir qualquer indivíduo que tente fraudar empresas”, completou Leslie Backschies, diretora assistente do FBI.

Tudo começou em 2018, cinco anos após o lançamento de 47 Ronins. A Netflix contratou Carl Rinsch, um diretor inexperiente, com somente 47 Ronins no currículo, para produzir Conquest, uma série de 12 episódios. Depois de queimar US$ 44 milhões do dinheiro da Netflix, o diretor exigiu outros US$ 11 milhões da empresa, em 2020. Ele disse que o investimento extra era para concluir a tal série.

Um ano depois, sem absolutamente nada a mostrar em troca do seu investimento, a Netflix desistiu do projeto. Cenas de Conquest chegaram a ser gravadas em vários países, como Uruguai e Romênia. No Brasil, na capital de São Paulo, teve cena feita na Avenida Paulista, por exemplo.

Segundo o indiciamento, Rinsch espalhou os US$ 11 milhões extras em várias contas bancárias diferentes. Então, o cineasta usou todo o dinheiro para fazer compras pessoais e aplicar em investimentos. Em menos de dois meses, ele havia perdido mais da metade dessa fortuna.

Mesmo assim, nada do restante foi destinado ao drama de ficção científica que havia prometido à Netflix. “Em vez disso, ele usou o dinheiro para especular com criptomoedas e adquirir itens de luxo”, conforme aponta o documento oficial da Justiça americana. Ele gastou:

  • Aproximadamente US$ 1,787.000 em cartão de crédito; 
  • Aproximadamente US$ 1,073.000 em advogados para processar a Netflix por ainda mais dinheiro, e com advogados relacionados ao seu divórcio; 
  • Aproximadamente US$ 395.000 para se hospedar no hotel Four Seasons e em várias outras propriedades de aluguel de luxo; 
  • Aproximadamente US$ 3,787.000 em móveis e antiguidades, incluindo aí US$ 638.000 para comprar dois colchões;
  • Aproximadamente US$ 295.000 em roupas de cama e lençóis de luxo, US$ 2.417.000 para comprar cinco Rolls-Royces e uma Ferrari e US$ 652.000 em relógios e roupas.

Assim, Carl Rinsch se depara com acusações de:

  • Fraude eletrônica, que acarreta uma pena máxima de 20 anos de prisão; 
  • Acusação de lavagem de dinheiro, que acarreta uma pena máxima de 20 anos de prisão;
  • Cinco envolvimentos em transações monetárias em propriedade derivada de atividade ilegal especificada, cada uma das quais acarreta uma pena máxima de 10 anos de prisão.

O documento deixa claro que “o réu é inocente, a menos que seja provado culpado [das acusações]”.

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