
O ano de 2025 teve uma série acima das demais, nos quesitos alcance e relevância. Adolescência (Netflix) conseguiu pautar o mundo inteiro sobre questões familiares delicadas, atingindo o feito raro de ser vista, ao mesmo tempo, por todo tipo de pessoa ao redor do planeta. Muitas grandes atrações recentes apenas sonharam com isso.
Outra série marcante foi The Pitt, narrativa médica visceral que ganhou o Emmy de melhor drama. Essas duas produções, entre outras qualidades, chamaram a atenção pelo primor técnico. Enquanto Adolescência arrebatou a audiência com seu plano sequência sem truques, The Pitt brilhou contando uma história em tempo real.
O que mais teve de bom? O Diário de Séries elencou as dez melhores séries de 2025, exibidas em território brasileiro de 1º de janeiro a 22 de dezembro. Confira:
Adolescência (disponível na Netflix)
O drama da gigante do streaming simplesmente foi assunto no mundo inteiro, assistida e comentada por pessoas de todas as classes sociais e das mais variadas idades, furando bolhas e pautando a imprensa de modo geral.
Inescapável, a narrativa cortante fez a população globla refletir sobre como pais, mães, família e sociedade estão cuidando de garotos e garotas na atual era da hiperexposição online, via redes sociais. Assim, Adolescência ganhou o justo rótulo de série mais importante da Netflix em todos os tempos.
Além do Direito (Netflix)
É difícil um drama jurídico surpreender positivamente, devido em parte por ser um gênero explorado a todo instante no mundo das séries, tendo pouca margem de inovação. Por isso, o k-drama Além do Direito merece um espaço neste top 10 porque mostrou algo fora da curva.
A característica principal da série é apresentar casos que fogem do senso comum, desenrolando histórias interessantes e muito bem armadas, proporcionando reviravoltas inesperadas e desfechos surpreendentes.
Além do Direito é precisa ao plantar dúvidas na mente do espectador. O público é convidado a refletir com cuidado e analisar as situações com uma lupa antes de tomar partido e julgar sumariamente.
Black Mirror (Netflix)
É possível argumentar que a sétima temporada de Black Mirror é a melhor da série. Isso porque todos os seis episódios foram legais, sem um sequer se deslocando como o ponto fraco da leva.
Todos têm algo importante a dizer, mensagem envelopada em uma ótima narrativa. Os destaques vão para os episódios Pessoas Comuns (sátira sobre streamings que exibem anúncios), Hotel Reverie (uma perturbadora e romântica viagem ao passado) e Eulogy (mergulho em memórias fotográficas do passado com ajuda da tecnologia).
O Estúdio (Apple TV)
Com humor afiado e ácido, O Estúdio brinca com situações reais que quem trabalha na indústria de entretenimento americana enfrenta, de como ser woke na escalação de elenco de um longa a equilibrar a paixão pelo cinema com a obrigação de fazer dinheiro produzindo filmes sem qualidade artística.
O legal é que Seth Rogen, cocriador e protagonista da trama, foi além de sua larga experiência para desenvolver a espinha dorsal do enredo: ele conversou com praticamente todos os principais diretores dos maiores estúdios do cinema americano -e executivos de marketing- para saber o que eles realmente pensam sobre o atual cenário de Hollywood.
Para Sempre (Netflix)
Esta foi uma das séries mais aclamadas do ano, tanto pelo público quanto pela crítica. Palavras como “deslumbrante” e “encantadora” foram usadas para carimbar a narrativa que retrata um encontro épico entre dois adolescentes pretos que exploram o amor e suas identidades ao longo da estranha jornada da primeira vez.
Para Sempre tem como base o controverso livro de mesmo nome da autora Judy Blume. Publicado pela primeira vez em 1975, o romance revolucionário foi proibido em escolas, livrarias e bibliotecas por todos os Estados Unidos, banimento que ainda persiste em alguns lugares. Tudo por causa de ter uma protagonista adolescente que, livremente, embarca em uma descoberta sexual.
Pluribus (Apple TV)
Grandes séries surgem de sacadas inteligentes e fora da caixinha. Pluribus se enquadra nesse padrão. O ótimo drama segue os passos de uma protagonista que assume a missão de salvar o mundo da felicidade. É uma crítica cirúrgica contra a positividade tóxica.
Por trás da atração está Vince Gilligan (Breaking Bad, Better Call Saul). Ele imaginou uma dinâmica na qual a paz e a solidariedade, de forma súbita, tomavam conta da Terra. A partir desse ponto de partida, surgiu uma reflexão mais pessoal: como seria viver em um cenário em que todos fossem incrivelmente gentis com ele?
Pssica (Netflix)
O esforço e investimento da Netflix Brasil na produção de Pssica valeu a pena. Gravada em Belém do Pará, com artistas locais e explorando cada ponto da região amazônica, o drama nacional entregou uma história excelente e muito bem realizada sobre o tráfico de mulheres a partir do trauma de uma jovem raptada.
Os quatro episódios foram suficientes para contar isso pelo ponto de vista de, essencialmente, três personagens: Janalice, Preá e Mariangel. Cada um deles trilhou um caminho em busca de paz e justiça, oferecendo ao público uma moral diferente da respectiva jornada.
Ruptura (Apple TV)
Eleita uma das melhores séries de 2022, indicada ao Emmy de melhor drama, Ruptura conseguiu espantar a maldição da segunda temporada, que geralmente ataca aquela atração que faz uma primeira leva espetacular e cai de nível no segundo ano.
A ficção científica não apenas avançou a narrativa de forma satisfatória, como entregou respostas a perguntas deixadas em aberto e apresentou outros caminhos para a continuação da trama. Acabou servindo como exemplo de almanaque sobre como uma segunda temporada tem de ser.
Task (HBO)
Com Task, a HBO entregou mais um drama policial de altíssimo nível. Liderada por Mark Ruffalo, a série ficou marcada pela intensidade emocional e interpretações arrebatadoras acerca da busca do FBI por ladrões que estavam realizando uma onda de assaltos violentos na região da Filadélfia (EUA).
Como um bom romance policial, Task investigou dilemas humanos fundamentais, entregando um estudo perspicaz sobre culpa, vingança e perdão.
The Pitt (HBO Max)
Primeiro drama médico a vencer o Emmy de melhor drama em 29 anos, The Pitt justificou o rótulo de autenticidade ao destrinchar a dinâmica alucinante de um plantão de 15 horas em um pronto-socorro.
A série recebeu o rótulo de melhor série sobre médicos e hospitais dos últimos tempos. E esse selo de qualidade foi dado por profissionais da medicina, o que é bastante significativo. Vídeos e textos espalhados pela internet, feitos por médicos da vida real, rasgam elogios à série justamente por ser certeira no retrato da rotina hospitalar em um setor de emergência. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



