DRAMA NA COMÉDIA

Análise: obra-prima da TV, Atlanta deixa legado sem igual

Quarta (e última) temporada já está disponível na Netflix
DIVULGAÇÃO/FX
Donald Glover (à esq.), Zazie Beetz e Brian Tyree Henry em Atlanta
Donald Glover (à esq.), Zazie Beetz e Brian Tyree Henry em Atlanta

A quarta e última temporada de Atlanta, finalmente, estreia no Brasil. A leva derradeira de episódios da comédia entrou na Netflix nesta sexta-feira (15). Chega ao fim uma trama sem igual na TV, apostando em bizarrices e no afro-surrealismo para se igualar aos dramas mais cabeçudos e prestigiados, por abordar temas densos e com profundidade sem perder o bom e peculiar humor.

Humor esse que incomoda e faz refletir. Atlanta combinou uma narrativa ousada com ataques a assuntos controversos e delicados da sociedade. E isso pelo ponto de vista de personagens pretos. O brilhantismo foi saber tratar de tais problemáticas de uma forma diferentona e longe do convencional, como no episódio sobre cotas raciais na universidade (nono da terceira temporada), fazendo valer uma posição crítica e relevante sem ser panfletária.

Atlanta foi o suprassumo de como destrinchar tópicos sensíveis sem apelar para o sensacionalismo e nem pender ao debate raso. De tabela, entregou episódios tecnicamente perfeitos, da direção ao roteiro. A fotografia, por exemplo, ganhou duas estatuetas no Emmy.

No circuito de premiações, Atlanta arrebatou o Globo de Ouro de melhor comédia, em 2017, pela primeira temporada. Desde o início, a comédia se manteve no topo, elogiada pelos especialistas e ovacionada pelo público. 

No site Metacritic, que compila reviews da imprensa de língua inglesa, a segunda leva de Atlanta recebeu a nova 97 (de 100), uma das avaliações mais altas dadas a uma série.

Donald Glover, com whiteface, na série Atlanta
Donald Glover, com whiteface, na série Atlanta

Episódios memoráveis de Atlanta

A comédia cruza a linha de chegada deixando episódios memoráveis para serem admirados anos a fio. Um exemplar preciso da crítica social e racial feita pela trama é o terceiro da segunda temporada (Alguém com Grana), no qual Earn (interpretado por Donald Glover) e Paper Boi (Brian Tyree Henry) sofrem microagressões preconceituosas quando visitam uma startup composta só de pessoas brancas; eles estão ali a trabalho, para fechar um contrato.

Falando de identidade e falsa representação, o sétimo da primeira temporada (Rede Afro-americana de Televisão) discutiu sobre privilégios e cegueira racial quando um homem branco se diz “transracial”, por se sentir um homem branco mesmo sendo um homem negro, de pele escura.

Tem também o sexto da segunda temporada, um dos mais inovadores de Atlanta, chamado de Teddy Perkins. Donald Glover foi indicado ao Emmy de melhor ator de comédia, em 2018, por esse episódio, que trata da pressão psicológica e traumas que crianças prodígios sofrem, principalmente as que têm pais controladores e abusivos. Há referências a ídolos pretos em geral como os cantores Michael Jackson e Marvin Gaye, e os esportistas Tiger Woods e Serena Williams

A terceira temporada saiu um pouco do prumo narrativo, apresentando episódios com histórias únicas e não necessariamente conectadas com o enredo matriz. Essa estratégia rendeu ótimas tramas, como o do menino preto adotado por um casal de lésbicas brancas (primeiro capítulo) e o da abordagem prática e real sobre reparação história acerca da escravidão de pretos imposta por brancos (quarto).

Atlanta voltou às origens na quarta leva, fazendo valer a máxima “fechando com chave de ouro”. Agora completa na Netflix, a série merece ser vista e revista, pois é digna de ser admirada. Foram sete anos para entregar 41 episódios, em quatro temporadas. Toda a espera por novos episódios durante esse período valeu a pena. Pois o resultado foi uma obra de arte acompanhada de outra.


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