CULT VS. POP

Análise: Estação Onze complementa The Last of Us com arte e requinte

É o fim do mundo retratado de forma (quase) igual
DIVULGAÇÃO/HBO
Mackenzie Davis na minissérie Estação Onze
Mackenzie Davis na minissérie Estação Onze

As semelhanças entre The Last of Us (HBO) e Estação Onze (HBO Max) estão na cara. Porém, quando a comparação se aprofunda, percebe-se que não são iguais e nem devem ser colocadas em um duelo sobre qual é a melhor entre as duas. Na verdade, Estação Onze é um complemento de The Last of Us, fundamentada em uma trama mais artística e refinada do que a atração baseada no game homônimo famoso.

E, no final das contas, falar dessas duas séries na mesma sentença é um favor para Estação Onze, merecedora de muito mais destaque do que ganhou quando estava no ar (foi desfavorecida pela péssima escolha da data de exibição, de dezembro de 2021 a janeiro de 2022). 

The Last of Us tem as suas qualidades, porém elas são supervalorizadas e extremadas pela base de fãs estridente e numerosa. Já Estação Onze, apesar dos obstáculos, conseguiu apreço do público que acompanhou a trama, agraciado por uma série absurdamente bem produzida.

Himesh Patel em Estação Onze (à esq); Pedro Pascal em The Last of Us
Himesh Patel em Estação Onze (à esq); Pedro Pascal em The Last of Us

Iguais, só que não

Como não comparar essas duas atrações? Ambas tratam de um vírus que arrasou o planeta Terra, iniciando uma rotina de vida apocalíptica. É o start do fim do mundo e, após um salto no tempo de 20 anos, a história começa. E tem um homem adulto, maduro, que protege uma menina que não é sua filha, mas cuida dela como se fosse.

Parou por aí. The Last of Us tem na violência uma arma de impacto. Rapidamente, o telespectador já nota que não dá para se apegar muito com um personagem apresentado em um episódio qualquer. As chances são altas de ele morrer no final, 50 minutos após entrar em cena.

A série tem essa tensão predominante no desenrolar da história. Ali, está sendo retratado um mundo verdadeiramente vivendo o apocalipse, por isso não dá para ter sossego. Os nervos estão à flor da pele.

Por sua vez, Estação Onze traz uma sociedade pós-apocalíptica, essencialmente. A pandemia da trama perdeu força duas décadas depois de devastar a sociedade. Os personagens buscam viver da maneira que podem dentro desse cenário. A arte é uma forma escolhida de passar o tempo e encontrar um propósito.

Essa arte dentro da história reflete a arte fora dela, ou seja, aquela usada na execução do projeto. A minissérie é impecável em vários quesitos, como direção e roteiro, passando pela fotografia e edição. Por isso, foi uma das atrações mais injustiçadas no Emmy do ano passado, quando sequer foi indicada como melhor minissérie.

Contudo, ao menos, recebeu menções em alguns prêmios técnicos no Oscar da TV (oito indicações, no total). Em todo o circuito de premiação, a vitória mais importante veio do sindicato dos diretores, alcançada neste ano, com o troféu entregue a Helen Shaver pela categoria melhor direção de minissérie (dois episódios de Estação Onze estavam concorrendo).

O primeiro teste de The Last of Us em premiações vai ser logo no Emmy de 2023. A qualidade da série, aliada à imensa popularidade, vai dar uma turbinada nas indicações, com toda a certeza.

Fato é que aqui se dá aquela argumentação batida: se você gostou de The Last of Us, precisa ver Estação Onze. Cada uma tem peculiaridades que as diferem. Uma, entretanto, é mais artística e tem mais requinte do que a outra.


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