NOVA ERA

Acordo histórico liberta atores de exclusividade na TV; entenda

Saiba por que seu ator preferido vai poder atuar em mais de uma série ao mesmo tempo
DIVULGAÇÃO/TCA
Fran Drescher, presidente dos sindicato dos atores norte-americanos
Fran Drescher, presidente dos sindicato dos atores norte-americanos

A partir de janeiro de 2023, vai aumentar o número de atores que poderão trabalhar em mais de uma série ao mesmo tempo, como integrantes de elenco fixo. Essa é a principal vitória obtida pelo sindicato norte-americano da categoria após firmar acordo com os representantes dos patrões (estúdios e produtoras), no último sábado (20).

Foi o fim de uma batalha de mais de dez anos para derrubar barreiras datadas que prendiam muitos atores em uma única série. A libertação de exclusividade insere os profissionais de forma adequada no novo modelo de produção da indústria do entretenimento, com atrações encurtadas (menos episódios) e intervalos maiores entre uma temporada e outra.

Primeiro, vale um registro de como funciona a lei atual, a ser encerrada no final do ano. Somente atores do elenco fixo com salário semanal inferior a US$ 15 mil (série de 30 minutos) ou US$ 20 mil (série de 60 minutos) podem negociar trabalhos em outras produções sem informar os patrões diretamente.

Isso até funcionava no passado, pois os programas tinham vários episódios em um ano (cerca de 20) e engatavam uma temporada atrás da outra. Em média, um ator passava por um tranquilo hiato de quatro meses, no qual não poderia arranjar um bico paralelo na TV; o que não era viável, aliás.

Com a profusão dos streamings, e o modelo de temporadas curtas (cerca de 13 episódios) e intervalos longos entre as temporadas, a coisa se transformou. O tal hiato passou a girar em torno de 14 meses. Ou seja, muitos ficavam parados, sem trabalhar, pelo fato de não poderem entrar em um elenco fixo de outra série por conta da exclusividade.

A começar no primeiro dia do ano que vem, a história muda. O teto limite aumentou para US$ 65 mil (série de 30 minutos) e US$ 70 mil (série de 60 minutos). Assim, muito mais atores de elenco fixo poderão arranjar outros trabalhos sem qualquer conflito com o atual.

Pressão dos atores nos bastidores

O sindicato dos atores (SAG) só conseguiu fechar a negociação com os patrões (AMPTP) por causa de um projeto de lei que estava ganhando força na Califórnia para ser aprovado, que se assim fosse iria acabar com todo tipo de exclusividade na indústria do entretenimento americano. 

Sentindo a pressão, os patrões resolveram conversar com o sindicato para chegar em um meio-termo. Uma das condições foi não mais apoiar o tal projeto de lei, sendo ele descartado; o SAG aceitou essa proposta.

Alguns detalhes técnicos permanecem na regra do jogo (como o atual contratante ter a preferência de impedir que um ator entre em uma atração muito similar na qual trabalha, coisas desse tipo). Mas a flexibilização acertada é bastante benéfica para os atores. 

Como disse o sindicato, em nota após a assinatura do novo pacto: “Estúdios estão com suas atrações totalmente inseridas no novo modelo de produção do século 21. Agora, chegou a hora de permitirem que seus empregados juntem-se a eles”.

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