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Crítica de O Paciente: você nunca viu Steve Carell tão bom assim

Na minissérie, o ator vive um terapeuta que é forçado a tratar um serial killer
DIVULGAÇÃO/HULU
Steve Carell em cena de O Paciente
Steve Carell em cena de O Paciente

Em um passado nem tão distante, Steve Carell foi eleito o Homem Mais Engraçado da América, pela tradicional revista Life. Ator que eternizou o chefe lunático Michael Scott na sitcom The Office e que até já foi indicado ao Oscar por um filme dramático (Foxcatcher), Carell nunca esteve tão bom como na minissérie O Paciente, que estreia nesta quarta-feira (21), no Star+.

O personagem dele, o terapeuta Alan Strauss, exigiu todas as habilidades de atuação possível. Tem-se ali um homem que, ainda de luto após a morte da mulher, e com uma relação estremecida com o filho devido à questões religiosas, é sequestrado por um cliente. O rapto não foi motivado por dinheiro, vingança ou algo parecido. A razão é, no mínimo, inusitada.

Sam Fortner, interpretado por Domhnall Gleeson, é um dos novos pacientes de Alan. O terapeuta tem uma boa fama, o que atraiu Sam. As notáveis características do psiquiatra vão desde ser bem presente no atendimento, sem disparar julgamentos, até demonstrar empatia e carinho sinceros. Sam, um fiscal da vigilância sanitária, vê ali uma oportunidade para se curar.

Contudo, o que ele quer é totalmente incomum: não deseja mais matar. Sim, Sam é um serial killer e busca alguma forma de não ter mais esse ímpeto de assassinar pessoas a esmo. A solução dele? Sequestrar um bom terapeuta e mantê-lo cativo em um porão, o forçando a ter sessões até encontrar a cura. Para Sam, essa é a única solução, compartilhar segredos e ter controle absoluto da situação, sem correr o risco que Alan o denuncie às autoridades.

Assim, o terapeuta vai passar dias acorrentado no tal porão, com direito a uma cama e nada de luxo. Comida? O serial killer traz. Banheiro? Tem uma espécie de pinico à disposição. É nesse ambiente hostil que Alan tem de dar um jeito de tratar Sam.

O Paciente é quase toda focada nessa interação entre Sam e Alan. Os episódios bem curtos (dez no total), girando em torno de 20 minutos, dão dinamismo para a narrativa, sem cansar o telespectador. A alta tensão está presente a todo instante. 

Fica a pergunta: como Alan vai conseguir fazer minimamente o seu trabalho nessa condição extremada, preso pelo pé? Ele tem de dar um jeito, pois isso é o que Sam espera. Entra em cena um desafio psicológico imenso, de focar a mente no que a situação exige como prioridade: jogar o jogo do serial killer, tentar manter a sanidade e buscar sair dali vivo.

De barba branca espessa, falando com calma, em tom baixo, Steve Carell dá uma personalidade única a Alan. O telespectador fica aflito ao vê-lo naquela situação e torce para que o pior não aconteça. Como se estivesse em um escape room elevado à décima potência, Alan tem de buscar uma saída. E tudo na base da conversa, usando táticas psicológicas.

Domhnall Gleeson é digno de elogios também. Os dois protagonistas entregaram atuações excelentes. O que O Paciente tem de precioso, para quem está acostumado a ver Steve Carell dentro de tramas de humor, é a atuação dramática nota 10 do Homem Mais Engraçado da América. Ele merecia indicações em todos os prêmios possíveis, mas quem conquistou isso foi Gleeson, que vai concorrer ao Critics Choice e Globo de Ouro como melhor ator de minissérie.


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