ANÁLISE

A Casa do Dragão desvenda um grande mistério: a origem dos dragões

São criações divinas ou 'filhos' da feitiçaria?
DIVULGAÇÃO/HBO
Caraxes, dragão que pertence a Daemon em A Casa do Dragão
Caraxes, dragão que pertence a Daemon em A Casa do Dragão

Antes do surgimento dos dragões em Westeros e Essos, existe um mistério ainda maior: de onde vieram essas criaturas? Spin-off de Game of Thrones, A Casa do Dragão tem dado dicas acerca disso, resgatando discussões e teorias da época da série matriz. Na atual terceira temporada, com episódios inéditos sempre aos domingos na HBO e HBO Max, a trama derivada aborda o assunto de forma provocativa.

Em determinado momento, a rainha Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy) enfrenta uma sucessão de crises após assumir o Trono de Ferro. Entre os confrontos mais tensos está o embate com o Alto Septão Balman (Simon Chandler), líder da Fé dos Sete, responsável por se recusar a realizar a cerimônia religiosa de unção da rainha diante das dúvidas sobre a suposta morte de Aegon (Tom Glynn-Carney). Além de questionar sua legitimidade, o religioso condena a própria supremacia da Casa Targaryen.

Durante a discussão, Balman afirma não reconhecer os dragões como parte da criação divina. Segundo ele, as criaturas nasceram de uma magia profana, ligada às trevas, ao orgulho e à busca desenfreada por poder, servindo apenas para destruir, jamais para criar.

A declaração levanta uma questão antiga entre os fãs da saga Game of Thrones: afinal, os dragões seriam fruto de feitiçaria?

Registros históricos
Os livros que servem de base para ambas as produções televisivas oferecem poucas respostas. Como os animais são considerados extintos durante quase toda a coleção As Crônicas de Gelo e Fogo (base de GoT), os registros sobre sua origem são escassos. A principal referência aparece em uma obra escrita pelo septão Barth, antigo Mão do Rei de Jaehaerys I Targaryen, bisavô de Rhaenyra e último monarca antes do reinado de Viserys I.

Após sua morte, Barth passou a ser visto como praticante de feitiçaria. Em consequência, seu livro acabou condenado pelos meistres e, na maior parte dos casos, destruído. Ainda assim, no volume A Dança dos Dragões, Tyrion Lannister menciona ter conseguido um fragmento dessa obra.

No texto, Barth reúne diferentes versões sobre o nascimento dos dragões. A tradição valiriana sustenta o surgimento das criaturas nas Catorze Chamas, cadeia de vulcões situada ao redor da antiga Valíria.

O religioso, porém, apresenta uma hipótese distinta. Os magos de sangue valirianos teriam recorrido à magia para combinar wyverns (criaturas semelhantes a dragões) e dar origem aos animais responsáveis pela expansão do império.

As wyverns realmente existem no universo de Game of Thrones. Citadas diversas vezes nos romances, elas são menores, incapazes de expelir fogo e consideradas menos inteligentes do que os dragões. Tem também outra espécie parecida, as firewyrms, que são enormes serpentes subterrâneas capazes de cuspir fogo, embora desprovidas da habilidade de voar.

Segundo a tradição, esses vermes de fogo habitavam as profundezas das Catorze Chamas desde tempos remotos. A partir daí surgiu a especulação de que um cruzamento mágico entre firewyrms e wyverns teria dado origem aos dragões.

Contexto em A Casa do Dragão
O discurso do Alto Septão em A Casa do Dragão pode representar uma referência direta às ideias de Barth. A cronologia torna essa possibilidade plausível. Nos livros, o septão morreu em 98 d.C., um ano após o nascimento de Rhaenyra. Como Balman é consideravelmente mais velho, existe a possibilidade de ter conhecido Barth pessoalmente ou até recebido sua formação com ele, antes de sua reputação ser destruída pela Cidadela.

Ainda assim, a série não confirma essa ligação, deixando em aberto se a semelhança foi intencional ou só um recurso dramático para intensificar o conflito entre a rainha e a Fé dos Sete.

Mesmo assim, a hipótese da magia de sangue permanece somente uma teoria. Embora Daenerys, em Game of Thrones, consiga chocar seus ovos após um ritual de natureza sobrenatural e os dragões demonstrem forte ligação com feitiços ao longo da saga, sua verdadeira origem continua envolta em incertezas.

O próprio Cataclismo de Valíria, desastre responsável pela destruição do império e da maior parte dos dragões existentes, apagou grande parte do conhecimento acumulado sobre a civilização.

O nível de desconhecimento é tão profundo, nos romances, que os habitantes de Westeros sequer dominam a técnica de forjar novo aço valiriano, muito menos sabem explicar como os dragões passaram a existir.

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