
A missão de The Faithful não é fácil: narrar uma história bastante popular. Para se diferenciar de tantas produções bíblicas que existem por aí, principalmente aquelas focadas no Antigo Testamento, a série escolheu encenar relatos conhecidos do livro de Gênesis pelo ponto de vista feminino. Esse olhar distinto e peculiar compensa o escorregão da trama, que é exageradamente didática como se fosse uma catequese ou uma escola dominical.
Nesta quarta-feira (8), a Netflix lança no Brasil a série americana The Faithful, cujo subtítulo é Mulheres da Bíblia. A proposta é apresentar a perspectiva das mulheres conhecidas pelos leitores do Livro Sagrado, cujas trajetórias exercem influência decisiva sobre as gerações responsáveis por moldar a história da fé.
O público acompanha as jornadas de cinco figuras femininas retratadas no primeiro livro da Escritura Sagrada. São elas: Sara (interpretada por Minnie Driver), Hagar (Natacha Karam), Rebeca (Alexa Davalos), Lia (Millie Brady) e Raquel (Blu Hunt).
Produção da Fox, The Faithful reúne elementos dramáticos capazes de atrair tanto os religiosos quanto espectadores sem vínculo com a fé.
Embora o roteiro do drama religioso apresente momentos de pouca inspiração, o elenco consegue conferir humanidade às personagens, tornando a experiência mais convincente.
Minnie Driver é um dos destaques
Assim como outras adaptações bíblicas recentes, a produção utiliza os textos originais apenas como ponto de partida para aprofundar conflitos e relações pessoais. O resultado privilegia uma abordagem mais intimista das protagonistas, em vez de se limitar à reprodução literal dos episódios conhecidos.
Nesse contexto, Minnie Driver assume papel decisivo. Sua interpretação transforma Sara em uma personagem marcada pela culpa. A jornada culmina na redescoberta da fé por meio da confiança depositada em Abraão e da amizade construída com Hagar. O desempenho da atriz eleva cenas capazes de resvalar no excesso de solenidade e confere densidade emocional à protagonista.
Apesar disso, o roteiro não alcança o mesmo grau de naturalidade visto em The Chosen, por exemplo, elogiada por retratar figuras bíblicas como pessoas complexas, repletas de falhas e conflitos internos.
Em The Faithful, a linguagem excessivamente arcaica cria uma barreira entre os personagens e a audiência, enquanto o tom demasiadamente reverente adotado para Sara e Abraão dificulta a identificação do espectador. Dessa forma, cabe sobretudo a Minnie Driver sustentar o peso dramático da produção por meio de sua atuação. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



