
Chega ao fim uma das melhores séries deste século. Nesta quinta-feira (25), entram no Disney+ os episódios finais de O Urso, produção que fez história na TV com recorde no Emmy, acúmulo de todos os tipos de prêmios, episódios inesquecíveis e aula de roteiro. Acaba indo além do debate se é uma comédia ou drama, algo que ficou marcado em sua trajetória.
Ao longo das quatro primeiras temporadas, O Urso abocanhou 69 prêmios. Entre essas conquistas, 21 são estatuetas no Emmy, com direito a recorde: em 2024, foram 11 vitórias, a então maior marca de todos os tempos no Oscar da TV para uma comédia em uma única edição. No ano seguinte, essa performance foi superada por O Estúdio, que emplacou 13 vitórias.
A narrativa acompanha os passos de Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), um chef premiado acostumado ao ambiente altamente competitivo da alta gastronomia. O protagonista abandona a carreira construída em restaurantes carimbados pelo Guia Michelin para retornar a Chicago, sua cidade natal, após a morte do irmão mais velho, Michael (Jon Bernthal).
Essa mudança impõe uma ruptura radical em sua jornada profissional. Em vez das cozinhas refinadas onde consolidou a própria reputação, Carmy assume a administração da lanchonete de sanduíches italianos pertencente à família. O estabelecimento, herdado depois do suicídio de Michael, enfrenta uma série de problemas acumulados ao longo dos anos.
Ao chegar, o chef encontra uma operação marcada por dívidas não resolvidas, instalações deterioradas e uma equipe difícil de administrar. Paralelamente aos desafios do negócio, passa a lidar com o sofrimento provocado pela perda do irmão e com traumas familiares ainda presentes.
Legado
O Urso conquistou ampla aprovação da mídia especializada. As atuações, os roteiros, a direção, a identidade visual, a trilha sonora e os valores de produção figuram entre os aspectos mais elogiados da série.
O retrato do universo gastronômico também recebeu reconhecimento de pessoas da área. Diversos especialistas destacaram a forma como a série reproduz a pressão constante das cozinhas profissionais, além das exigências físicas, emocionais e financeiras envolvidas na rotina de um restaurante.
Frequentemente enquadrada como uma comédia dramática, sua classificação de gênero tornou-se motivo de debate. Parte significativa da crítica prefere defini-la como um drama psicológico com elementos ocasionais de humor, em razão do tom predominantemente dramático da narrativa e da abordagem de temas pesados, entre eles suicídio, alcoolismo, traumas familiares e disfunções no ambiente de trabalho.
Independentemente de qualquer coisa acerca de rótulos, O Urso deixa episódios inesquecíveis na memória do público, um tão diferente do outro que só poderia ter sido feito por uma produção longe de definições burocráticas.
Tem a singela história de vida da cozinheira Tina Marrero (meticulosamente defendida por Liza Colón-Zayas), no capítulo Guardanapos, que é um primor de atuação, roteiro e direção. Assim como o caótico (e premiado) Peixes, tratado como um episódio natalino recheado de drama, comédia e participações especiais durante um jantar enlouquecido.
Vale destacar a abertura da terceira temporada, intitulada Amanhã, na qual se tem um puro delírio estonteante em que prevalecem a contemplação e o pouco diálogo.
Sem dúvida, O Urso entregou inovação, frescor, qualidade e emoção para o deleite do telespectador. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br


