MERCADO

O hábito da geração Z que deixa streamings em xeque

Jovens tratam as plataformas como algo descartável
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Cena de Off Campus; romance baseado em livro
Cena de Off Campus; romance baseado em livro

A relação da Geração Z com as plataformas de streaming se tornou cada vez mais volátil. Em vez de manter assinaturas contínuas, boa parte do público mais jovem passou a alternar serviços conforme o lançamento de filmes e séries específicos, movimento capaz de redefinir a lógica de fidelização do setor e alterar estratégias das principais plataformas do mercado.

Dados do estudo Generations In Play: 2026 Audience Insights Report, publicado pela Dentsu e pela IGN Entertainment, apontam que 59% dos usuários da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) cancelam e retomam assinaturas deliberadamente para acompanhar apenas um título de interesse. O relatório descreve esse comportamento como uma evidência de que “a lealdade aos streamings está efetivamente morta.”

Não à toa, toda plataforma deixa claro que a pessoa pode assinar e cancelar o serviço quando quiser, justamente com o objetivo de não afugentar esse público. Porém, a longo prazo, a tática mês a mês não é um bom negócio para as empresas do ramo. Por isso, são inúmeras as campanhas visando fidelizar o cliente, como o desconto dado a quem opta pela assinatura anual (ou trimestral, em alguns casos).

O departamento financeiro de qualquer streaming fica inseguro com os planos mensais, pois o número de assinantes de hoje pode cair drasticamente amanhã. Essa incerteza mexe com as contas e torna o balanço imprevisível.

De acordo com a pesquisa da Dentsu/IGN, as plataformas que mais sofrem com a infidelidade da Geração Z são HBO Max, Apple TV e Paramount+. São elas que os jovens assinam ocasionalmente, para ver uma série ou outra, e depois pulam fora.

Para surpresa de ninguém, a Netflix é a plataforma que mais consegue reter o público dessa faixa etária.

Segundo Brent Koning, diretor da Dentsu, os streamings precisam criar um calendário com séries de múltiplas temporadas caso queiram conseguir a tão desejada fidelidade. “A mudança aqui não está necessariamente em produzir mais conteúdo, novidades ou obras originais”, disse, em entrevista ao site Variety. “Já sabemos que a fidelidade do público gira em torno de propriedades intelectuais com longevidade.”

O estudo com carimbo da Dentsu/IGN foi conduzido de forma independente pela Kantar em parceria com a Universidade da Califórnia, Berkeley. O levantamento ouviu 6.250 consumidores considerados “altamente engajados” com entretenimento nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

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