
Protagonizado por Asa Butterfield, astro de Sex Education, o drama britânico Sem Salvação estreia na Netflix, nesta terça-feira (21), explorando o mundo misterioso de uma seita cristã que mais parece um sepulcro caiado: a aparência é atraente e bonita, mas seu interior é recheado de podridão.
Composta por seis episódios, a narrativa convida o espectador a conhecer o que acontece nos bastidores de uma organização religiosa fictícia totalmente suspeita. No centro de tudo está Rosie (Molly Windsor), uma mãe devota que inicia uma jornada perigosa de emancipação feminina e despertar sexual após um encontro fatídico com Sam, um fugitivo condenado vivido pelo ator Fra Fee.
Rosie vive enclausurada na tal comunidade cristã com seu marido, Adam (Butterfield), e sua filha. A chegada fatídica de Sam revela a realidade e as restrições do mundo de Rosie. Talvez sua comunidade religiosa oculta não esteja, de fato, interessada no seu bem-estar no final das contas.
À medida que as rachaduras começam a aparecer no casamento de Rosie e Adam, Sam se apresenta como o salvador de Rosie, mas é dono de passado criminoso sombrio. Dessa forma, onde está o maior perigo: com a seita ou com Sam?
Sem Salvação tem base em histórias reais
Criada e escrita por Julie Gearey, Sem Salvação foi inspirada em experiências reais de ex-integrantes de seitas. A roteirista entrou em contato com pessoas que conseguiram deixar essas comunidades, localizando-as por meio de fóruns online e redes sociais.
“O que descobrimos foi que muitas delas estavam traumatizadas”, explicou Julie, em entrevista à própria Netflix. “Era importante tranquilizá-las ao máximo, garantindo, em primeiro lugar, que ninguém que assistisse à série seria capaz de reconhecê-las e, em segundo lugar, que tudo o que elas compartilhassem sobre a experiência emocional de fazer parte desses grupos seria tratado com respeito e encenado da forma mais fiel possível na produção.”
A showrunner descobriu que existem mais de duas mil seitas atualmente em atividade no Reino Unido, embora, de acordo com um especialista acadêmico com quem trabalhou na série, esse número possa ser ainda maior.
“Há seitas minúsculas que não passam de uma família ampliada”, informou. “Quando a sociedade em geral atravessa um período de extrema incerteza, como o que vivemos agora, é nesse momento que esses grupos tendem a surgir.”
“Acho que há um senso real de conforto e apoio nesses grupos. Você não precisa se preocupar com onde vai morar, o que vai comer ou se tem amigos. É uma estrutura social muito, muito segura. Quando funciona, funciona de verdade, mas, se você começa a questionar os métodos deles… é aí que os problemas começam.”
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



