
A disputa por um dos estúdios mais emblemáticos de Hollywood ganhou contornos dramáticos nesta quinta-feira (26). Em uma reviravolta que redesenha o tabuleiro da indústria do entretenimento, a Netflix decidiu não elevar sua oferta pela Warner Bros. Discovery, abrindo caminho para que a Paramount, sob a liderança de David Ellison, assuma a dianteira na corrida pelo controle do conglomerado centenário.
Em comunicado (leia a íntegra abaixo) divulgado nesta quinta-feira (26), os coCEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, afirmaram que a transação deixou de fazer sentido sob a ótica financeira devido ao leilão instaurado, com o grupo Paramount Skydance aumentando o preço disposto a pagar pela Warner.
Segundo os executivos, tratava-se de uma oportunidade interessante nas condições adequadas, jamais de um ativo indispensável a qualquer custo. A sinalização foi clara: a companhia optou por disciplina de capital em vez de protagonizar uma escalada de valores.
Com a saída da plataforma de streaming, a proposta mais recente da empresa da montanha passou a ser vista como praticamente certa de aprovação pelo conselho da Warner, que já havia classificado o lance da rival como superior. O acordo defendido pela Netflix, agora descartado, previa a aquisição da Warner Bros. e da HBO Max por cerca de US$ 82 bilhões.
A investida da Paramount, apresentada em 24 de fevereiro, elevou substancialmente a aposta: aproximadamente US$ 111 bilhões pela totalidade da Warner Bros. Discovery, incluindo seus canais lineares de TV por assinatura. A oferta foi estruturada com incentivos adicionais aos acionistas. Entre eles, um valor de US$ 31 por ação, uma taxa incremental de US$ 0,25 por trimestre a partir de 30 de setembro de 2026 e uma cláusula de rescisão regulatória de US$ 7 bilhões caso a operação seja barrada por autoridades antitruste.
A Paramount também se comprometeu a arcar com a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar à Netflix para encerrar o acordo previamente firmado, movimento que, na prática, remove um dos principais entraves contratuais à mudança de parceiro.
No mercado, a reação foi imediata. Investidores da Netflix receberam a decisão com alívio, interpretando o recuo como sinal de prudência financeira. As ações da empresa avançaram 10%, refletindo a percepção de que, diante dos valores envolvidos, ficar de fora pode ter sido o melhor negócio.
Nota da Netflix
“A transação que negociamos teria gerado valor aos acionistas, com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo valor necessário para igualar a mais recente oferta da Paramount Skydance, o acordo deixou de ser financeiramente atrativo; por isso, estamos desistindo de cobrir a proposta da Paramount Skydance.”
“A Warner Bros. é uma organização de excelência, e queremos agradecer a David Zaslav, Gunnar Wiedenfels, Bruce Campbell, Brad Singer e ao conselho da WBD por conduzirem um processo justo e rigoroso. Acreditamos que teríamos sido bons guardiões das marcas icônicas da Warner Bros. e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento, além de preservar e criar mais empregos na produção nos Estados Unidos. Mas essa transação sempre foi algo ‘desejável’ pelo preço certo, e não algo ‘indispensável’ a qualquer custo.”
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



