
As decepções de 2025 são escatológicas (que diga And Just Like That…). O ano ficou marcado pela desgraça de séries grandiosas e promissoras, como A Roda do Tempo e Daryl Dixon, e por desastres claros e evidentes dignos de vergonha alheia, de Tudo É Justo a Uma Família Perfeita.
O Diário de Séries lista as dez piores séries de 2025, exibidas em território brasileiro de 1º de janeiro a 18 de dezembro. Marcam presença produções péssimas de fato e aquelas que desceram ladeira abaixo após temporadas de estreias satisfatórias. Confira:

A Roda do Tempo (disponível no Prime Video)
Dessa lista, a série que talvez tenha a melhor premissa é A Roda do Tempo. Baseada na saga literária de Robert Jordan, a atração fantasiosa tem uma mitologia coerente e armada com precisão. A adaptação para a TV até ocorreu bem nos primeiros passos, mas o rumo foi perdido ao longo do caminho.
O cancelamento foi decretado em maio, com o Prime Video desistindo de seguir investindo em uma série que não vingou como esperado.
*

And Just Like That (HBO Max)
Continuação da icônica Sex and the City, a comédia And Just Like That teve um final de m… O último episódio foi um exemplo claro de uma obra inacabada. Com méritos, cravou um lugar na lista das séries com os piores finais de todos os tempos. Constrangimento define como foi o desfecho da trama.
A conclusão ficou longe de qualquer despedida memorável. O que deveria ser um momento de emoção ou catarse se transformou em uma cena grotesca e podre, quando um vaso sanitário entupido transbordou e roubou a atenção do clímax narrativo (nada mais simbólico).
*

Fubar (Netflix)
Eis mais uma série vítima dos longos intervalos entre temporadas. Detonada pela crítica, Fubar só conseguiu emplacar uma segunda temporada por causa da audiência bastante significativa. Porém, o segundo ano estreou após um hiato de mais de dois anos e o público simplesmente sumiu.
De série mais vista na Netflix (primeira temporada), Fubar quase não entrou no top 10 semanal entre os programas de língua inglesa com a segunda leva. Pesou, então, a má qualidade da atração, classificada por muitos como uma das piores séries já feitas pela gigante do streaming.
O inevitável cancelamento veio em agosto, apenas dois meses após o lançamento da segunda temporada.
*

Daryl Dixon (Prime Video)
As séries filhotes de The Walking Dead estão longe da glória e da qualidade do drama zumbi consagrado. Após Dead City, com Maggie e Negan, ter perdido qualidade, chegou a vez de Daryl Dixon mostrar desgaste e fadiga com a terceira temporada, tornando-se previsível e com um tipo de susto café-com-leite no melhor estilo Noites do Terror do Playcenter: nenhum zumbi ou assombração ali vai te pegar de verdade.
Ao menos o sofrimento está com os dias contados. A série foi renovada para a quarta e última temporada.
*

Recruta (Netflix)
A Netflix cancelou a série Recruta após duas temporadas. O martelo foi batido apenas cinco semanas depois do lançamento da segunda leva (30 de janeiro), indicando um alto grau de insatisfação com a qualidade do material entregue.
Claramente, Recruta escorregou em vários aspectos da narrativa na segunda temporada. O principal deles foi exagerar no frágil desenvolvimento de seu protagonista, o advogado/agente Owen Hendricks (Noah Centineo), constantemente retratado como um bobalhão, típico pateta, quando deveria ser pintado como um mocinho e herói. Enjoou as constantes e inúmeras piadinhas que todos ao seu redor faziam para depreciá-lo.
*

Supermachos (Netflix)
A Machos Alfa espanhola é fenomenal. Até por causa desse sucesso, a Netflix decidiu fazer uma investida bacana e produziu diversas adaptações ambientadas em outros países europeus, como Holanda, Alemanha, Itália e França.
Supermachos, a versão francesa, foi uma catástrofe. Terrivelmente péssima, a série não é engraçada, a história é frágil, peca pela superficialidade (não aprofunda os temas acerca da masculinidade), as atuações são horrorosas, desperdiça o pano de fundo parisiense (copiar Emily em Paris seria útil)… Enfim, é uma comédia de erros.
*

The Hunting Party (Universal+)
A série The Hunting Party, protagonizada por Melissa Roxburgh (ex-Manifest), ganhou notas vergonhosas nos sites Rotten Tomatoes e Metacritic, que compilam reviews de críticos da imprensa de língua inglesa. Em ambas as plataformas, as avaliações estão entre as piores dos últimos tempos, puro vexame.
No Rotten Tomatoes, o índice da primeira temporada foi de 25%; chegou a ser 0% quando entraram as primeiras críticas. Já no Metacritic, a nota foi 34 (de 100).
*

Too Much (Netflix)
Apesar do pedigree, criada, dirigida e roteirizada pela premiada showrunner Lena Dunham (ex-Girls), a comédia romântica Too Much fracassou gloriosamente. Simplesmente ninguém assistiu à série, passando despercebida na Netflix, com muitos assinantes afirmando que só ouviram falar dela quando saiu a notícia do cancelamento.
Too Much, de fato, não faz frente a outras produções recentes que formam o portfólio de comédias bem-sucedidas da gigante do streaming, como Ninguém Quer, Um Espião Infiltrado e A Dona da Bola.
*

Tudo É Justo (Disney+)
Alguém pode até tentar achar um caminho alternativo para defender a série Tudo É Justo, dizendo que há pontos positivos aqui e ali, que a coisa melhora a partir de determinado episódio… Mas o fato é que, essencialmente, o drama jurídico é péssimo, de baixa qualidade.
Até a lenda Glenn Close, uma das renomadas atrizes que formam o elenco da atração, admitiu que a série têm múltiplos episódios que são ruins e fracos.
É preciso ressaltar que, superando toda essa negatividade, Tudo É Justo caiu no gosto popular e conseguiu a inesperada encomenda de uma segunda temporada.
*

Uma Família Perfeita (Disney+)
Drama true crime com uma história apetitosa, Uma Família Perfeita sucumbiu em um ponto importante: a trama não teve uma protagonista à altura da narrativa. A icônica atriz Ellen Pompeo, eternizada pelo papel de Meredith Grey em Grey’s Anatomy, derrubou a série com sua canastrice.
Ellen falhou nesse novo trabalho ao tentar se descolar da personagem que a consagrou. A atriz não conseguiu sair da pele de Meredith. É impossível vê-la e ouvi-la em Uma Família Perfeita sem a imaginar nos corredores do hospital Grey Sloan Memorial. O timbre da voz, os trejeitos… É como se fossem personagens iguais.
Não ajuda o fato de ela narrar algumas cenas no drama do Disney+, assim como faz em Grey’s Anatomy; aí as semelhanças e a confusão ficam às claras. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



