
Episódio após episódio, The Pitt (Max) faz jus ao rótulo de “drama mais autêntico dos últimos tempos” dado pela mídia especializada. A série de fato se destaca entre as demais do gênero até mesmo pela veracidade extremada, mostrando como é um plantão no movimentado pronto-socorro do fictício Pittsburgh Trauma Medical Hospital.
São muitos os aspectos que tornam The Pitt especial. A ideia de fazer uma temporada inteira de 15 episódios (um inédito lançado a cada quinta-feira), com cada um deles correspondendo a uma hora cheia do plantão médico, é só um aspecto digno de aplauso.
A série investiu forte no treinamento médico dos atores para justamente transmitir ao público uma sensação de autenticidade. E deixa como trilha sonora apenas o som ambiente de um setor de emergência, sem usar nenhum tipo de música como pano de fundo, nem para as cenas de ação, nem para as mais emotivas.
O realismo de The Pitt
Treinamento médico
O elenco passou por um treinamento médico intensivo e rigoroso, no qual aprenderam a realizar procedimentos como intubação e reanimação cardiopulmonar com precisão.
Durante duas semanas, os atores mergulharam numa espécie de “escola de medicina”, sob a supervisão de profissionais de saúde.
Noah Wyle, que interpreta o Dr. Robby Robinavitch, destacou que o treinamento foi essencial para acentuar o realismo da produção: “Quando começaram a gravar, [os atores] já sabiam como realizar os procedimentos. Eles não apenas moviam as mãos diante da câmera; estavam realmente fazendo os movimentos técnicos de um médico.”
Autenticidade
The Pitt prova ser mais do que um drama médico, sendo uma representação crua e autêntica da rotina de um hospital. Cada episódio cobre uma hora de um plantão, permitindo que os espectadores acompanhem de perto a trajetória dos personagens enquanto enfrentam crises hospitalares, decisões rápidas e uma grande carga emocional que o trabalho acarreta.
“Queríamos capturar a experiência do que é a vida na sala de emergência. A melhor maneira de fazer isso era em tempo real”, explicou R. Scott Gemmill, roteirista e produtor-executivo.
Sem música. Sem efeitos
Música e efeitos visuais são recursos fundamentais para qualquer série de TV, tudo para gerar emoção. Porém, The Pitt segue um caminho diferente.
Sem trilha sonora dramática para manipular os sentimentos do espectador, a série consegue uma conexão mais genuína com o público. Noah Wyle explica: “Até assistirmos ao primeiro episódio, tudo era teórico. A única maneira de cativar o público sofisticado dos dias de hoje é se desfazer de tudo o que eles estão acostumados a ver e sentir.”
Essa abordagem inovadora redefine o que um drama médico pode ser, destacando o heroísmo dos profissionais de saúde e a crueza do ambiente onde trabalham.
Adaptar a realidade
Uma das principais razões que motivaram a criação de The Pitt foi o profundo impacto que a pandemia teve nos profissionais de saúde. Segundo Wyle, a série reflete a realidade vivida durante essa crise, desde o esgotamento físico até o impacto emocional que deixou nos profissionais.
“Eu recebia muitas cartas de socorristas contando suas experiências. Isso me fez perceber que havia outra história a ser contada”, comentou Wyle.
Em tempo: The Pitt foi renovada para a segunda temporada. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br