Criada por uma mulher, a série Ray Donovan estreou em 30 de junho de 2013 explorando dramas familiares de um clã envolvido com o crime, tendo o apelo de Hollywood e celebridades como motor. De tabela, a trama chamou a atenção do público feminino obcecado pelo protagonista, interpretado por Liev Schreiber, propositadamente feito para ser o típico macho alfa bruto.
O fascínio acerca do personagem Ray Donovan é curioso. Ele acabou atraindo homens e mulheres por motivos diferentes, apesar de toda a sua complexidade, elevando à máxima o valor de um anti-herói. Seu trabalho, livrar pessoas famosas de enrascadas bravas, situações na maioria das vezes à margem da lei, era equilibrado com uma vida conturbada no lar, culminando em traições dentro do casamento.
Mesmo assim, mulheres se sentiam hipnotizadas por Ray. As falhas em seu caráter eram esquecidas. O que estava em jogo era a pura fantasia de ser tomada e envolvida por uma figura Máscula, com M maiúsculo, em uma era na qual a metrossexualidade e a figura do homem sensível e delicado entraram em campo.
Ann Biderman, criadora de Ray Donovan, sempre tratou dessa característica do protagonista em entrevistas. Invariavelmente, o personagem criado por ela era projeção de homens ideais morfados em um só. Não lhe interessava homens magros, metrossexuais, com mãos lisas hidratadas com creme… O que movia seu interesse era o oposto disso.
Além desse aspecto físico e mais superficial, Ann também conseguiu inserir em Ray Donovan coisas da psique masculina, pelo ponto de vista da mulher, seja em momentos de intimidade ou na relação com outros homens. O mergulho nesse mundo deixou o público feminino fascinado pelo personagem.
Na série em si, Ray Donovan era irresistível. Por mais que uma mulher chegasse perto dele e prometia não ceder ao seu charme, antes cedo do que tarde essa resistência se derretia. Tal qual James Bond, Ray Donovan colecionou “Ray Girls” durante sua jornada. Muitas das que cruzaram o caminho dele sabiam bem do tipo de homem com quem estavam se metendo. Entretanto, não perdiam a oportunidade de experimentar.
A consequência disso foi que Liev Schreiber teve de lidar com assédios femininos, na base da brincadeira, por onde quer que fosse. Mulheres em grupos o seguiam, querendo tocá-lo, vê-lo de perto, alimentando ainda mais a fantasia. Não foram poucas as vezes nas quais mulheres abordaram o ator dizendo ter passe livre dos maridos para engatar um caso extraconjugal com o intérprete de Ray Donovan.
Registro: Liev Schreiber teve uma longa relação com a atriz Naomi Watts, iniciada em 2005; tiveram dois filhos. Eles se separaram em 2016, durante a quarta temporada de Ray Donovan.
Ele procurava tirar de letra os avanços mais agressivo das fãs. Certa vez, durante o famoso Festival Tribeca, uma moça da plateia perguntou ao ator se ele queria casar com ela, com a permissão de seu marido. Envergonhado, Schreiber brincou com a proposta indecente e politicamente incorreta, mas recusou. Uma entre tantas.
Exibida de 2013 a 2020, Ray Donovan teve sete temporadas (82 episódios) mais um telefilme que concluiu a trama. Atualmente, está fora do mundo do streamings; já foi atração do Paramount+ e Netflix.
João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br
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